terça-feira, 20 de maio de 2014

Coisas que fizeram toda a gente parar




Chuva de granizo. E que senhor granizo! Pedras enormes e a perder de vista caíram de forma ruidosa durante um longo período de tempo e cobriram parte da cidade de branco. Olhando de repente, parecia que estava tudo coberto de neve.
Invulgar. (Dizem mesmo que nunca antes visto).
O tempo está louco.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Eu e o carnaval

Quando era criança tive a sorte de ter uma avó costureira de muito talento e uma mãe que aprendeu muito com ela, por isso, tive sempre fantasias de carnaval personalizadas e bem mais elaboradas do que as que eram vendidas nas lojas. Lembro-me de me ter mascarado de princesa indiana, de palhaço e de Sheera, por exemplo. Depois, deixei de achar graça a mascarar-me no carnaval. Não quis mais. O carnaval era só um dia diferente na escola em que os meninos mais pequenos como o meu irmão se mascaravam e ficavam umas fofuras, e nós, não tão pequenos, tentávamos sempre ir sem farda para a escola. Durante alguns anos, até colou a história de "estar mascarado de civil" e era uma alegria para nós, um dia no ano, andarmos na escola sem a farda cinzenta de todos os dias. Era também a temporada de caça com ovos e balões de água. Nem sempre agradável...Ainda para mais considerando que o carnaval, em Portugal, corresponde a uma época de frio.
Também sempre nos entrou pelas cores da televisão as imagens do carnaval no Rio de Janeiro. Crescemos com aquela imagem que nos vendem: carros enormes, com bonecos e todo o tipo de parafernália decorativa e, claro, as mulheres de corpos esbeltos e impressionantemente trabalhados que se exibem em fantasias minimalistas. Eu nunca entendi nada do que se passava aqui no carnaval. Só que há pessoas que vivem o ano inteiro a pensar nisso, que é uma imensa festa, que as mulheres andam nos desfiles praticamente sem roupa, como se estivessem na praia em pequenos biquinis , e que os desfiles são uma mostra de enormes e sumptuosas maquinarias de ornamentação. Pois agora pasmem-se: o carnaval, afinal, não se trata só de mulheres a abanar os "bumbuns" desnudos. Cada desfile tem um fio condutor: o enredo. Um tema. A partir desse tema, constrói-se o samba: melodia e letra da música. A partir da letra da música, são imaginadas várias alas: conjuntos de pessoas com a mesma fantasia. Cada ala representa algum aspeto que é retratado na música, ilustra visualmente alguma temática que é cantada no samba. No fundo, é tudo uma grande encenação.
Uma das coisas mais importantes de qualquer escola de samba é a bateria: o conjunto de pessoas que constitui a percussão. Isso, para mim, é impressionante. Talvez por a minha formação ser na Música. Centenas de pessoas, de todas as idades, desde crianças a mais maduros, com vários tipos e formas de instrumentos de percussão - alguns eu nem sabia que existiam!-, guiados por gestos ou apitos. Uma sincronia emocionante de pessoas que, na sua grande maioria, não têm qualquer formação musical. Ainda assim, com empenho e muita paixão, agarram nos instrumentos, e conseguem executar, sem fugir à pulsação, combinações rítmicas durante mais de 1 hora, ininterruptamente. É admirável. Eu já desfilei por uma escola de samba de São Paulo e digo-vos: os momentos iniciais do desfile quando os cantores lançam o "grito de guerra" e os primeiros passos que se dão na avenida são verdadeiramente emocionantes.
E, na verdade, para além de tudo isto: o carnaval é uma competição! Quem diria? É uma competição entre escolas de samba! Há um juri atento a cada passo de cada ala, critérios de avaliação e, no final, um vencedor.

Bloco Esfarrapado
Não sei se sou só eu, mas nunca na vida, lá do outro lado do mundo, nada disto me tinha passado pela cabeça. Parecia-me tudo...aleatório. Só um monte de gente fantasiada a passear pela avenida. Realmente até existe esse tipo de carnaval aqui: são os blocos. Um monte de gente fantasiada (ou não), pelas ruas fora a seguir um carro (trio elétrico) em que uma banda ou cantor vai em cima a animar a festa. O outro, o tal das mulheres a sambar na avenida com fantasias que tapam apenas o essencial , não é nada disso. É uma acérrima competição, e as pessoas tendem a torcer pelas escolas de samba da mesma forma que o fazem pelas equipes de futebol: cada um torce incondicionalmente pela sua.
Bloco Esfarrapado
Quando se vê o carnaval com os olhos daqui, é bem diferente o cenário com que nos deparamos- pasmem-se novamente: segundo uma pesquisa, cerca de metade da população brasileira não gosta de carnaval! E muitos brasileiros lamentam que o seu país seja apenas visto, por muitos, como uma mera conclusão precipitada baseada em flashes de imagens: o país do futebol e do carnaval, leia-se, das mulheres vistosas e pouco vestidas a balançar-se pela avenida dos desfiles. É isso, sim, e, felizmente, muito mais também. Não são (só) os "cartões postais" que fazem um lugar.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Coisas que me fizeram parar


Numa semana era esta a movimentação...





...e na semana seguinte era este o resultado final.




Av. Brigadeiro Faria Lima

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Coisas que me fizeram parar



Vi esta frase na casa da R., uma das minhas melhores amigas, e não pude deixar de o mostrar aqui. Porque esta é talvez a maior lição que eu tenha de aprender aqui em São Paulo: dançar à chuva. Já tenho ensaiado alguns passos embora, por vezes, continue a fugir a sete pés para algum canto e, enrolada na bolinha mais perfeita que o meu corpo permita, una as mãos a pedir por tudo o que é mais sagrado que a tempestade passe. Mas uma coisa posso dizer: como é tão mais fácil abraçar este desafio com uma grande amiga por perto!.. Porque se há coisa que melhora a vida de uma pessoa é viver na mesma cidade que uma das melhores amigas. Mesmo que nos vejamos uma vez por mês, mesmo que falemos uma ou duas vezes por semana ao telefone. O simples facto de a saber por perto, à distância de um trajeto de táxi ou de ônibus é reconfortante e apaziguador. Eu sei que ela está lá, e ela sabe que eu estou aqui e, acreditem ou não, isso faz toda a diferença para a nossa alma. (Ou não fosse a R. minha irmã de alma!..)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Eu e a verdade

Esta semana eu e meu pequeno fomos de ônibus ao parque. No caminho, o ônibus parou num semáforo e a janela em que estávamos ficou bem em frente a uma calçada onde um morador de rua dormia enrolado em cobertores velhos, com um cartaz alusivo a Jesus à sua frente. Ele nem se apercebeu que paramos ali. O meu pequeno, por outro lado, apercebeu-se de que ele estava ali parado e, num ônibus quase vazio em que todos, querendo ou não, ouviam o que ele dizia, ergueu a voz, intrigado e indignado: "mamãe, está ali um senhor a dormir no chão!" Eu não dei muita conversa, esperando não ter de entrar em maiores explicações que, à partida, me pareceram difíceis para a compreensão de um pequeno ser de 3 anos e picos. Mas ele, como sempre faz, insistiu: "Mamãe, porque é que ele está a dormir no chão?" Eu tentei explicar, sem detalhes, que ele dormia ali por não ter outro lugar para dormir. Ele continuou, num tom de voz ainda mais forte: "Mas pessoas não dormem no chão! Pessoas dormem nas camas!" O meu olhar cruzou-se com o de uma jovem senhora que estava algumas filas mais atrás. Ela sorriu-me, como quem diz "e agora?..", e sorriu a olhar para ele, intuo que admirando a sua bonita ingenuidade. "Filho, algumas pessoas não têm cama, não têm casa e, por isso, muitas vezes têm de dormir no chão." Ele não entendeu, e continuou a questionar-me "Mas porque é que ele não dorme numa cama?" Eu, sem muitos argumentos, reiterei "algumas pessoas não têm casa, filho, infelizmente...Precisam de dormir na rua porque não têm casa." Ele, surpreendentemente, terminou o assunto, em paz e positivismo, dando-lhe o fim que melhor coube no seu entendimento e que mais lhe agradou à sensibilidade: "ah, já entendi!.. A casa dele é muuuuito longe, por isso que ele deitou ali no chão a descansar um pouco." Eu sorri e, rendida, concordei com ele "É isso, meu amor, a casa dele ainda está longe mas, um dia, ele vai chegar lá." Como disse Ferreira Gullar uma vez "verdade sobre a existência, sobre a vida? ninguém sabe o que é isso, então, se a gente não sabe nada do sentido de tudo, mais vale inventar pro bem!"




quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Coisas que nos fizeram....andar









O Ibirapuera. Que belas manhãs lá tivemos estes dias! Manhãs de sol aberto e muito calor motivaram-nos a, pela primeira vez em quase dois anos, arriscar uma ida até lá. Foi tão positivo que, logo no dia seguinte, repetimos a dose - aproveitando enquanto é bom tempo. Não sei porque esperamos tanto tempo para o conhecer. O parque é enorme, tem dois lagos com cisnes - o que é um ponto a favor de quem vai com crianças pequenas- e diversas áreas de lazer, desde playgrounds, a quadras de basket, espaço para andar de skate ou patinar e espaços com equipamentos para fazer exercício físico. Tem várias unidades móveis de polícia, pelo que é bem vigiado. Junto ao portão 3 é possível alugar uma bicicleta. O serviço funciona muito bem. Em dia de semana, de manhã, não há tempo de espera, é praticamente só fazer o pedido, e seguir viagem. Têm disponível bicicletas grandes, pequenas com rodinhas e uma espécie de carro para pedalar que é alugada a idosos ou pessoas com deficiência física. O preço também é bem acessível: R$5 por hora. Ainda nos disponibilizam capacetes e um cadeado para a bicicleta. Dentro do parque há um ciclovia e, mais uma vez, em dia de semana e de manhã, não há, digamos, tráfego intenso e é bem fácil passear pelo parque, tanto de bicicleta quanto a pé. Pedalamos e andamos quilómetros no parque! Ainda visitamos o MAM, passeamos no Jardim das Esculturas e, claro, aproveitamos os playgrounds. Alguns brinquedos estão em mau estado mas, regra geral, as coisas funcionam bem e são bem diversificados - o pequenote adorou, e o difícil foi tirá-lo de lá! Há quem aproveite as sombras das árvores para fazer piquenique - que é um dos nossos planos para uma próxima visita! O parque também tem (que eu tenha visto) restaurante e uma lanchonete, para além dos vendedores ambulantes. Podemos apreciar as maravilhosas arquiteturas de Niemeyer e uma coisa que faz falta em São Paulo e, ali, encontramos de sobra: céu aberto, verde e água.
Aprovadíssimo!



Sessão de fotografia junto ao MAM


Oca

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Subscrevo



"I believe in dreams.

I believe in laughter.

I believe in family."



Numa casinha de Papai Noel, algures em São Paulo.