No trânsito caótico de São Paulo, um destes dias, comentava o taxista:
"Para quê tanta pressa se o nosso destino é a morte?"
E num trajeto de ônibus, conversavam um senhor e uma senhora já de certa idade, e a dada altura ele comenta:
"Ainda ninguém me veio dizer que lá em cima [e aponta com o dedo para o céu] é melhor do que aqui, por isso, vou ficando por aqui mesmo que está bom!"
O título não pretende ser um plágio mas uma vénia a esse grande livro desse grande escritor/cronista: As minhas aventuras na República Portuguesa (Miguel Esteves Cardoso). Neste humilde endereço, apenas um pouco de tudo, um pouco de nada, muito de mim.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Nós e o Itaú Cultural
O Itaú Cultural, situado em plena Avenida Paulista, é um dos nossos programas preferidos de final de semana. O espaço promove, no último final de semana de cada mês, atividades direcionadas para as crianças, uma feirinha de troca de livros, Cds e DVDs, o cantinho de leitura e um espetáculo. Aliado a isso, o espaço tem sempre diversas exposições que podem ser visitadas - não necessariamente para crianças mas que elas podem apreciar também.
O programa vai das 14h até cerca das 17h quando termina o espetáculo. Os ingressos para o espetáculo são distribuídos gratuitamente a partir das 14h na bilheteria, logo à entrada do edifício. Não convém deixar para muito próximo da hora do espetáculo (16h) pois arriscam-se a não ter ingresso.
A atividade do dia inicia às 14h e está normalmente relacionada com o espetáculo que vai ocorrer mais tarde. No mais das vezes são oficinas, mas também pode ser contação de histórias, atuação de músicos, atores circenses ou outras tantas mais. O espaço é bem organizado e as atividades muito educativas e cativantes.
A feirinha de troca de livros, Cds e DVDs tem um conceito simples: leva-se de casa o que se quer trocar, e traz-se o que se escolheu disponível na banca da feirinha. Já a execução nem sempre é tão simples: para os pequenos, desapegar das suas coisas nem sempre é encarado de bom ânimo, mas tem sido um desafio conquistado a pouco e pouco aqui em casa e com muito bons resultados! A senhora responsável pela feirinha é de uma disponibilidade e simpatia admiráveis! Para além dos livros da feirinha, a criançada tem disponível alguns livros do acervo infanto-juvenil da biblioteca do Itaú, e é vê-los, esparramados nas almofadas ali espalhadas para a ocasião, a devorar os livros.
No último final de semana assistimos à peça Pedro e o Lobo, pelo teatro de bonecos Giramundo. Maravilhoso! Os bonecos, feitos de madeira, são de uma expressividade impressionante, muito bem construídos e muito bem manuseados pelos atores. Os atores, além da sua qualidade de interpretação, são atenciosos com as crianças: no final do espetáculo, permitem que os pequenos toquem nos bonecos, dêem abraços, beijinhos, tirem fotos com eles no colo, enfim, que interajam como quiserem e, paciente e generosamente aguardam que o espetáculo realmente acabe por esse dia.
Giramundo permanece no Itaú com uma exposição muito interessante sobre a construção dos bonecos e ainda realizará alguns espetáculos até meados de Janeiro. Imperdível!
O programa vai das 14h até cerca das 17h quando termina o espetáculo. Os ingressos para o espetáculo são distribuídos gratuitamente a partir das 14h na bilheteria, logo à entrada do edifício. Não convém deixar para muito próximo da hora do espetáculo (16h) pois arriscam-se a não ter ingresso.
A atividade do dia inicia às 14h e está normalmente relacionada com o espetáculo que vai ocorrer mais tarde. No mais das vezes são oficinas, mas também pode ser contação de histórias, atuação de músicos, atores circenses ou outras tantas mais. O espaço é bem organizado e as atividades muito educativas e cativantes.
A feirinha de troca de livros, Cds e DVDs tem um conceito simples: leva-se de casa o que se quer trocar, e traz-se o que se escolheu disponível na banca da feirinha. Já a execução nem sempre é tão simples: para os pequenos, desapegar das suas coisas nem sempre é encarado de bom ânimo, mas tem sido um desafio conquistado a pouco e pouco aqui em casa e com muito bons resultados! A senhora responsável pela feirinha é de uma disponibilidade e simpatia admiráveis! Para além dos livros da feirinha, a criançada tem disponível alguns livros do acervo infanto-juvenil da biblioteca do Itaú, e é vê-los, esparramados nas almofadas ali espalhadas para a ocasião, a devorar os livros.
No último final de semana assistimos à peça Pedro e o Lobo, pelo teatro de bonecos Giramundo. Maravilhoso! Os bonecos, feitos de madeira, são de uma expressividade impressionante, muito bem construídos e muito bem manuseados pelos atores. Os atores, além da sua qualidade de interpretação, são atenciosos com as crianças: no final do espetáculo, permitem que os pequenos toquem nos bonecos, dêem abraços, beijinhos, tirem fotos com eles no colo, enfim, que interajam como quiserem e, paciente e generosamente aguardam que o espetáculo realmente acabe por esse dia.
Giramundo permanece no Itaú com uma exposição muito interessante sobre a construção dos bonecos e ainda realizará alguns espetáculos até meados de Janeiro. Imperdível!
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| Personagem Pedro, de "Pedro e o Lobo" |
sábado, 29 de novembro de 2014
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Eu e as eleições (II)
Não entendo. Não consigo entender como é que um país que, de forma tão admirável, se mobiliza como no ano passado para sair às ruas para protestar contra o status quo, na hora de escolher o rumo do país opta por... deixar tudo como está. Não há qualquer coisa de estranho nesta equação? Milhares e milhares, milhões!, saíram às ruas, milhares vaiaram a Presidente em ocasiões até constrangedoras perante a comunidade internacional e eis que...ela reelege-se. Por pouco, diga-se, e herdando um país mais dividido do que nunca - pode traçar-se uma linha diagonal no país dividindo quem votou em quem- mas ganhou.
Por favor, não protestem mais. A hora de protestar era esta. Ontem. Em cada urna eletrónica espalhada pelo país. Daqui para a frente, não protestem. Quando faltar a água, não protestem. Quando o filho não tiver vaga na creche. Quando o filho tiver vaga na creche e virem a precaridade que vos espera. Quando os preços das coisas nos pesarem nos bolsos. Quando as pessoas não conseguirem consultas, cirurgias ou sequer atendimento num pronto-socorro. Quando a educação continuar a deixar (e muito!) a desejar. Quando as obras ficarem paradas. Quando a segurança continuar a ser um problema. Quando o emprego escassear. Não protestem. Por favor. Esses protestos atrapalham a vida a milhares de pessoas que querem ir trabalhar e não conseguem, que querem voltar para casa e não sabem como.
Em São Paulo, a maioria dos votos (Aécio venceu com uma margem de cerca de 7 milhões de votos) refletiu o desejo de mudança. Por mais que os protestos me tenham atrapalhado a rotina, ter voltado a pé para casa, não foi em vão. Pelo menos, vale-me o conforto da coerência. E resta-nos a esperança nas mudanças e no tão prometido e anunciado futuro melhor para o Brasil!
Por favor, não protestem mais. A hora de protestar era esta. Ontem. Em cada urna eletrónica espalhada pelo país. Daqui para a frente, não protestem. Quando faltar a água, não protestem. Quando o filho não tiver vaga na creche. Quando o filho tiver vaga na creche e virem a precaridade que vos espera. Quando os preços das coisas nos pesarem nos bolsos. Quando as pessoas não conseguirem consultas, cirurgias ou sequer atendimento num pronto-socorro. Quando a educação continuar a deixar (e muito!) a desejar. Quando as obras ficarem paradas. Quando a segurança continuar a ser um problema. Quando o emprego escassear. Não protestem. Por favor. Esses protestos atrapalham a vida a milhares de pessoas que querem ir trabalhar e não conseguem, que querem voltar para casa e não sabem como.
Em São Paulo, a maioria dos votos (Aécio venceu com uma margem de cerca de 7 milhões de votos) refletiu o desejo de mudança. Por mais que os protestos me tenham atrapalhado a rotina, ter voltado a pé para casa, não foi em vão. Pelo menos, vale-me o conforto da coerência. E resta-nos a esperança nas mudanças e no tão prometido e anunciado futuro melhor para o Brasil!
Coisas que me fizeram parar
Não sei qual foi a motivação de quem escreveu estas palavras. Seria uma crítica política? Atrevo-me a dizer: provavelmente.
Seja como for, eu que ando a percorrer ao de leve os caminhos da meditação e afins, não pude deixar de sorrir ao ver isto escrito num quadradinho no chão. Parecia um convite para sentar e meditar. Interessante como esta proibição pode soar como um convite à liberdade: atirem os pensamentos fora e flutuem na leveza dessa ausência.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Eu e as eleições
As eleições aqui no Brasil diferem em vários aspetos das eleições em Portugal. A urna eletrónica é uma das diferenças - em Portugal ainda votamos "à moda antiga". Essa diferença permite que num país com cerca de 200 milhões de habitantes, os resultados das eleições sejam conhecidos algumas horas após o final da votação. Outra diferença é o facto de aqui o voto ser obrigatório. Quem falta à votação, tem de justificar a falta ou fica sujeito a uma série de consequências penalizantes. O voto obrigatório gera uma série de perversões no sistema. Desde logo, a falta de consciência na hora de votar. Sem dúvida quando o voto é facultativo, quem "se dá ao trabalho" de ir votar, fá-lo por qualquer convicção política ou de cidadania. Opta por dedicar o seu tempo e energia a isso. Alguma coisa há-de mover a pessoa que faz essa opção. Alguma coisa sua: convicção, crença, esperança, consciência. Infelizmente, quando o voto é obrigatório, podem surgir (como já aconteceu no passado) nas regiões mais remotas do Brasil, casos em que o que move a escolha das pessoas é o "incentivo financeiro" que recebem por essa "escolha". Claro que, tal como nos países em que o voto é facultativo, há muitas e muitas pessoas que votam aqui com consciência de dever cívico e plena convicção da sua escolha. Provavelmente se o voto fosse facultativo no Brasil, os destinos do país seriam outros. (Pelo menos, com certeza não haveria o "efeito-rebanho" ou o voto "num qualquer" só porque "tem de ser"). Outra diferença é que aqui, seja em que eleição for, vota-se sempre na pessoa específica que se quer ver no cargo ( deputado, senador, etc). Em Portugal, regra geral, vota-se no partido da preferência, e os deputados são eleitos proporcionalmente aos votos que o partido recebeu. Esta característica dá origem àqueles horários de propaganda eleitoral caricatos que se vêem aqui. Como dizia há meses um locutor da Rádio Cultura: "Por Deus: nós não merecemos!" É as mulheres-fruta, os palhaços, cantores, ex-futebolistas, "zés da farmácia" ou "zés metalúrgicos", Professor A, B ou C e tantos tantos outros exemplos. Como diz o maridão: "se não fosse trágico, seria cómico." Em Portugal, diga-se, muitas vezes nós nem sabemos bem a que figura estamos a dar assento na Assembleia.
Sabem o que, infelizmente, não muda? A falta de conteúdo de ideias discutidas. Nesta eleição presidencial, particularmente, o nível do que se discute é tão baixo que só dá para lamentar. Um país com tantos recursos naturais, com tanto potencial, merece uma classe política que saiba levar a bom porto os rumos do país. O que não muda é, regra geral, a qualidade dos políticos. E o que nós esperamos e desejamos é que as coisas mudem!
Que ganhe o que for melhor para o Brasil.
Sabem o que, infelizmente, não muda? A falta de conteúdo de ideias discutidas. Nesta eleição presidencial, particularmente, o nível do que se discute é tão baixo que só dá para lamentar. Um país com tantos recursos naturais, com tanto potencial, merece uma classe política que saiba levar a bom porto os rumos do país. O que não muda é, regra geral, a qualidade dos políticos. E o que nós esperamos e desejamos é que as coisas mudem!
Que ganhe o que for melhor para o Brasil.
domingo, 12 de outubro de 2014
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