Novo ano que se inicia. O quarto que começa aqui para mim. Passou rápido. (Às vezes) Passa devagar. Uma coisa é certa: foi bem mais fácil começar 2015 do que começar 2012. Foi tão mais fácil passar por 2014 do que por 2012! Quando aqui cheguei, tenho de admitir, tudo era difícil. Tudo me era penoso. O trânsito, o caos, a música à noite na rua, a gritaria das pessoas, não haver contentores de lixo e o lixo ficar pelo chão, ninguém parar nas faixas de pedestre, as chuvadas todos os dias no final de um dia de verão - oh, que saudades daquelas belas chuvadas! Quase todas essas coisas se mantém até hoje mas, hoje em dia, simplesmente convivo com elas. Pacificamente. Naquela época, eu resistia a qualquer tipo de mudança, tudo me irritava. O simples facto de eu acordar todos os dias e estar na cidade de São Paulo me irritava. Era mais feliz naqueles primeiros segundos de nem-acordada-nem-a-dormir em que me parecia estar a acordar em Lisboa. O resto do dia, era de pura negação. Estes anos em São Paulo fizeram-me mudar tantas perspetivas!.. Quando procurei coisas boas na vida, encontrei-as. Estar 24 horas por dia com o meu filho de, na época 2/3 anos foi a maior delas. Foi a atenção que ele dava a cada coisa, a alegria que ele tinha com coisas tão simples, a forma plena com que se entregava a cada coisa que o cativava, a cada tarefa que o ocupava que me fez ver que também nós, "pessoas crescidas", temos (ainda) essas capacidades. O tempo que passei com ele foi, no início absolutamente esgotante mas, depois, uma dádiva. Quantas mães têm essa possibilidade? De acompanhar o desenvolvimento, passo a passo, hora a hora, do filho. Cada dia começou a trazer-me uma boa surpresa. (Ou várias!) O sorriso e a gargalhada dele passaram a ser o meu bálsamo. Quando comecei a andar pelas ruas à procura de beleza, encontrei-a - e registei muita dela aqui, neste blog. Quando escolhi ser feliz, comecei a ser. Não 100% do tempo, claro, não me tornei uma pessoa, digamos, iluminada mas, pelo menos, tento ser aquela pessoa que escolhe ver o melhor, o que é importante e vale a pena e, no mais das vezes, resulta e sinto-me uma pessoa feliz e abençoada. Na realidade, não mudou tanta coisa assim desde o começo de 2012 para o começo de 2015. Continua a faltar-me muita coisa e muita coisa continua a fazer-me falta. Tenho quase os mesmos medos, angústias e dúvidas. (A diferença é que hoje nenhum deles me atormenta ou paralisa). São Paulo não mudou - ou, pelo menos, não mudou muito para melhor- mas aprendi a conhecê-la melhor e gostar de várias coisas que ela me dá. No fundo, o que mais mudou fui eu. Não propriamente eu, mas a minha forma de encarar tudo: o bom e o mau. Como diz o meu filho "quando a gente procura, acha." E é a mais pura verdade, saída da boca de um menino de 4 anos e meio. Resta-nos escolher do que estamos à procura. E a palavra-chave no meio de tudo isto é essa mesmo: "escolher".
Uma coisa eu sei que não vou encontrar aqui: Lisboa. Essa continua lá, à beira-mar plantada, com pessoas que eu amo, linda, solarenga, pacata e à espera do meu retorno, seja para férias, seja para ficar. Mas também aprendi que não podemos viver à espera ou em função do que vamos viver amanhã. Porque o hoje já aqui está, e não espera. Ou o agarramos ou ele nos escapa. E há sempre qualquer coisa que merece a nossa atenção, a nossa gratidão, o nosso sorriso hoje. Mesmo nos piores dias.
Eu começo 2015 com esperança no que ele me vai trazer e à minha família, e com gratidão por tudo o que já conquistamos até aqui. Obrigada 2014 por me permitires começar 2015 com esta vontade de procurar coisas boas. E...quem procura, acha.
O título não pretende ser um plágio mas uma vénia a esse grande livro desse grande escritor/cronista: As minhas aventuras na República Portuguesa (Miguel Esteves Cardoso). Neste humilde endereço, apenas um pouco de tudo, um pouco de nada, muito de mim.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
terça-feira, 20 de janeiro de 2015
Carta a São Pedro
Caro São Pedro,
Antes de mais, quero pedir-lhe sinceras desculpas por tantas vezes que me dirigi ao senhor com sentimentos menos amistosos cada vez que aquelas trombas de água nos atingiam nos tempos idos de Janeiro de 2012. Todo o santo dia lá vinha aquela chuvada que alagava a cidade e ensopava as pessoas. Até então, eu não tinha entendido o verdadeiro sentido de "chuvas de verão" e, pode até dizer-se que até àquele momento eu não sabia verdadeiramente o que era uma chuvada. Ora, eu estava convencida que vinha para o quentinho do verão e aquela chatice todas as tardes atrapalhava-me a rotina e desvanecia uma das poucas alegrias que sentia na época: ter saído do inverno rigoroso para entrar num verão quentinho. Na verdade, o que encontrei foi um verão morno e extremamente molhado. A cidade alagava, a luz faltava (graças a Deus essa parte melhorou bastante de lá para cá, pelo menos aqui no bairro). Pois agora, meu caro São Pedro, venho endereçar-lhe as minhas desculpas pois eu nada sabia do clima ou das necessidades da cidade e, por consequência, das nossas próprias. Posto isto, humildemente lhe rogo que mande todas as chuvas, chuvadas, tempestades que bem entender. Se não for pedir demasiado, seria bom que a maior perto delas caísse precisamente na região da Cantareira. Não que aqui na capital não sejam bem-vindas: amenizam o calor - que está bem difícil de suportar, por sinal...será que isso também pertence ao seu Departamento? Bom, mas também não quero abusar nos pedidos que lhe dirijo, não faça caso- e a poluição, o que é uma grande mais-valia mas, enquanto a chuva não cair na Cantareira, vivemos todos com a água cortada em boa parte do dia e da noite e com esta nuvem negra a pairar na cabeça - nuvem essa que mais valia fosse de chuva, mas nada mais é que a forte ameaça da seca total. O que faremos nós se a água acabar na Cantareira?
Então, meu caro São Pedro, aceite as desculpas e, por favor, apenas considere, por momentos que seja, os humildes pedidos desta simples moradora de São Paulo. Eu e mais uns tantos milhões ficaremos-lhe eternamente gratos se nos conceder a benção das chuvas. Desde já me comprometo a não mais me queixar de qualquer chuvada.
Atenciosamente,
Joana Gabriela
Antes de mais, quero pedir-lhe sinceras desculpas por tantas vezes que me dirigi ao senhor com sentimentos menos amistosos cada vez que aquelas trombas de água nos atingiam nos tempos idos de Janeiro de 2012. Todo o santo dia lá vinha aquela chuvada que alagava a cidade e ensopava as pessoas. Até então, eu não tinha entendido o verdadeiro sentido de "chuvas de verão" e, pode até dizer-se que até àquele momento eu não sabia verdadeiramente o que era uma chuvada. Ora, eu estava convencida que vinha para o quentinho do verão e aquela chatice todas as tardes atrapalhava-me a rotina e desvanecia uma das poucas alegrias que sentia na época: ter saído do inverno rigoroso para entrar num verão quentinho. Na verdade, o que encontrei foi um verão morno e extremamente molhado. A cidade alagava, a luz faltava (graças a Deus essa parte melhorou bastante de lá para cá, pelo menos aqui no bairro). Pois agora, meu caro São Pedro, venho endereçar-lhe as minhas desculpas pois eu nada sabia do clima ou das necessidades da cidade e, por consequência, das nossas próprias. Posto isto, humildemente lhe rogo que mande todas as chuvas, chuvadas, tempestades que bem entender. Se não for pedir demasiado, seria bom que a maior perto delas caísse precisamente na região da Cantareira. Não que aqui na capital não sejam bem-vindas: amenizam o calor - que está bem difícil de suportar, por sinal...será que isso também pertence ao seu Departamento? Bom, mas também não quero abusar nos pedidos que lhe dirijo, não faça caso- e a poluição, o que é uma grande mais-valia mas, enquanto a chuva não cair na Cantareira, vivemos todos com a água cortada em boa parte do dia e da noite e com esta nuvem negra a pairar na cabeça - nuvem essa que mais valia fosse de chuva, mas nada mais é que a forte ameaça da seca total. O que faremos nós se a água acabar na Cantareira?
Então, meu caro São Pedro, aceite as desculpas e, por favor, apenas considere, por momentos que seja, os humildes pedidos desta simples moradora de São Paulo. Eu e mais uns tantos milhões ficaremos-lhe eternamente gratos se nos conceder a benção das chuvas. Desde já me comprometo a não mais me queixar de qualquer chuvada.
Atenciosamente,
Joana Gabriela
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Nós e a corrida de São Silvestre
Última manhã do ano em São Paulo é dia da corrida de São Silvestre. O evento é um dos mais tradicionais da cidade. Reúne milhares de atletas, entre profissionais e amadores. Entre os amadores, encontra-se de tudo um pouco: desde as pessoas mais idosas que dão um belo exemplo de saúde e superação a todos nós, aos amadores que treinam o ano inteiro para dar o seu melhor, e há também aqueles que só querem é participar da festa e chegar ao final. Este ano e o ano passado ficámos na Avenida a vê-los passar. Passaram os atletas que iam melhor classificados, e outras tantas centenas de pessoas - um verdadeiro mar de gente, a perder de vista na avenida- incluindo fantasiadas: passou o Papai Noel, o Batman, o Flash Gordon, o Homem de Ferro, o Ayrton Senna. Passou um grupo de pessoas a empurrar uma criança numa cadeira de rodas, o que foi um momento verdadeiramente comovente. Nós, no público, íamos aplaudindo e incentivando. Muitos deles, atletas, apesar do esforço e cansaço, iam-nos brindando com os seus "bom dia!" e "feliz ano novo", alguns deles faziam realmente a festa!
O nosso principezinho, no final, confessou: "do que eu gostei mais foi de ver as pessoas fantasiadas!"
Eu, do que mais gostei foi do ambiente de festa e confraternização. De ver toda aquela imensidão de gente, de ambos os sexos, de todas as idades, de todas as nacionalidades, etnias, reunidas num mesmo espírito: de entrega, de alegria, de comemoração do ano que passou e do que está para chegar. Também eu te dou as boas vindas, 2015. Estou pronta para me dedicar a ti, de corpo, alma e coração.
O nosso principezinho, no final, confessou: "do que eu gostei mais foi de ver as pessoas fantasiadas!"
Eu, do que mais gostei foi do ambiente de festa e confraternização. De ver toda aquela imensidão de gente, de ambos os sexos, de todas as idades, de todas as nacionalidades, etnias, reunidas num mesmo espírito: de entrega, de alegria, de comemoração do ano que passou e do que está para chegar. Também eu te dou as boas vindas, 2015. Estou pronta para me dedicar a ti, de corpo, alma e coração.
sábado, 27 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Quando chove em São Paulo...
....chove mesmo! Consigo ouvir o Capitão Haddock, grande amigo de Tintim, vociferar "Com mil raios e trovões!" ou posso até entender melhor o medo que os gauleses tinham que o céu lhes caísse na cabeça.
Nestes dias, é comum ver as pessoas a tirar os sapatos e atravessar a estrada com água pelo tornozelo, e outras tantas a segurar chapéus de chuva totalmente destroçados.
Mas...nos tempos que correm, é bom que a água corra mesmo!..Com mil raios e trovões!
Coisas que me fizeram parar
Gosto desta imagem. A ideia de um ser que transpõe os obstáculos mais difíceis, que não se detém numa barreira, que teima em crescer e florescer apesar das adversidades e existir em plenitude seja em que circunstância for, não se deixando sucumbir perante nada. A ideia de uma parede, fria, dura, inflexível, que se curva perante a beleza e abre uma brecha para que ela passe, para que ninguém a perca.
Afinal, nada é tão fraco, e nada é tão intransponível quanto possa parecer à primeira vista.
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