domingo, 9 de agosto de 2015

Inverno no Ibirapuera




O meu pai costuma brincar comigo a dizer que aqui não faz frio que "é verão o ano inteiro." Nós, paulistanos - permitam-me a ousadia de me considerar uma paulistana honorária - sabemos que não é totalmente assim. Aqui faz frio, sim. Felizmente não é um frio que dure muito tempo. Visita-nos duas semanas, vai embora, volta em alguns dias, vai embora, espreita de novo, vai embora. Agora estamos no inverno. O calendário diz-nos que sim. Os dias de sol e calor desacreditam-no e dão razão ao meu pai.
Tiramos estas fotografias no Ibirapuera a semana passada. Lindas cores, árvores floridas, tudo bem verde, um sol luminoso e um céu azul. Realmente bem diferente do inverno cinzento e despido de folhas ou flores da Europa. Muitas crianças a aproveitar os últimos dias de férias...do inverno.



terça-feira, 4 de agosto de 2015

Coisas que sempre me fazem parar




Esse mural de Os Gemeos que está no MAM (Parque do Ibirapuera). Desta vez, detive-me mais nos detalhes e reparei numa das personagens: teclados amarrados aos braços que se abrem como asas.
Gostei. Gosto mais de ter os dedos no piano mas, se tivesse que ter alguma coisa amarrada aos braços, que fossem dois teclados. Além do mais, podemos dizer que, poeticamente, esta personagem voa nas asas da música.

sábado, 1 de agosto de 2015

Se essa rua fosse nossa




Mais uma iniciativa do Itaú Cultural. Mais uma boa iniciativa.
A criançada fica com uma parte da rua lateral do Itaú Cultural por sua conta! A trilha sonora é agradável, virada para os pequenotes, e as brincadeiras são à moda antiga: desde amarelinha a corrida de sacos, passando por pular corda e mais um monte de outras brincadeiras que fazem parte da infância de qualquer um de nós. Além das brincadeiras bem conduzidas por monitores que ali ficam toda a tarde, há apresentações de teatro ou música.
Para pequenos e graúdos matarem a fome, há foodtrucks ali estacionados para a ocasião. (No interior do Itaú Cultural também há opções nesse sentido).
Vale a pena ficar atento à programação e aproveitar "se essa rua fosse nossa" porque ali, por um pedacinho, é mesmo delas, das crianças, e a diversão é garantida!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Eu e o mundo das crianças

Eu e o Mateus passamos um mês de férias em Lisboa.
No primeiro final de semana de regresso a São Paulo, fomos até ao Itaú Cultural para o evento "Se essa rua fosse nossa." Enquanto o observava a brincar e interagir com as outras crianças que ali estavam, pensei como o mundo das crianças é tão mais simples do que o nosso.
Em Lisboa, aproveitamos bem os dias quentes de verão para passear. Além das coisas óbvias como o jardim zoológico ou o oceanário, do que o Mateus mais gostou foi de brincar nos variados parques de lisboa. Em cada um deles, acabava por brincar com uma ou mais crianças, da idade dele ou não, menino ou menina. Brincou com portugueses e com estrangeiros, já que Lisboa está bem recheada de turistas. Entendiam-se sempre. Corriam, riam, interagiam. Em um dos dias, um menino perguntou-lhe que língua ele falava, se era inglês. Vi o ar intrigado do Mateus, correu para mim e segredou-me "mamãe, que língua eu falo?" Disse-lhe "português, filho, todos falamos português aqui, mas nós falamos com o sotaque daqui e tu falas com o sotaque do Brasil, falas português do Brasil." Ele arregalou os olhos e correu novamente para junto dos meninos. "Falo português do Brasil." Continuaram a brincar. Em outro dia, um menino perguntou-lhe "és brasileiro?" Novamente aquele olhar intrigado, como quem pensa "Boa pergunta!" Não ouvi a resposta e vi que continuaram na mesma correria e euforia de antes no escorrega do parque. Perguntei-lhe o que tinha respondido ao menino, e ele encolheu os ombros "Nada... Eu não sei", disse-me ele na maior descontração. Para ele não tem a menor importância se é português, brasileiro, sueco ou chinês. Tão pouco tem a menor importância qual a aparência ou a nacionalidade dos meninos com quem brinca. E tão menos ainda tinha importância para os outros qual a língua ou o sotaque dele.
No Itaú Cultural, o Mateus movia-se e interagia exatamente com o mesmo à vontade que em qualquer parque em Portugal. A mesma alegria, a mesma empolgação, a mesma excitação de estar num lugar que gosta, à procura da melhor forma de se divertir. O melhor de tudo é que percebi que a forma dele estar no mundo e a forma com que o vê melhora a minha: tanto me faz que seja em Lisboa ou em São Paulo...a alegria do Mateus é a minha, vê-lo feliz faz-me sorrir esteja eu em que ponto do globo estiver.
Simples, não?
Além de mais simples que o nosso, o mundo das crianças é também, muitas vezes, mais bonito. O menino com quem o Mateus mais brincou no Itaú, do nada, chegou ao pé dele e abraçou-o "´Tá brincando sozinho? Quer brincar comigo?" E assim começou uma tarde de diversão. No final da tarde, o menino chorava no colo da mãe "mas eu não quero ir embora ainda!" O Mateus, sabiamente disse-lhe, "Não fica assim não. O que importa é que a gente se divertiu." E seguimos para casa, à procura da próxima brincadeira.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Pérolas da língua portuguesa

Em Portugal também as temos e em larga escala. Note-se, por exemplo, o incorreto emprego do "s" nos tempos verbais da segunda pessoa do singular: "Oh Manel, fizestes o que te pedi? Comprastes as coisas no mercado?"
Dói nos ouvidos...

Ora aqui em São Paulo, também é comum ouvirmos pérolas por aí. A minha preferida é o "nimim". E perguntam-se vocês o que é esse tal de "nimim"? Aqui vai um exemplo:

"O cara derrubou a cerveja nimim!"


De difícil escrutínio, de início, esta variação de "em mim" permeia muitas das falas de quem é usuário de transportes públicos.

Parente desta pérola, encontramos uma outra, mais clássica ainda: a eterna dúvida "eu ou mim?"

"Me dá isso para mim fazer!"

"Para mim chegar lá vai ser difícil!"


Quando éramos crianças e alguém cometia este tipo de erro, havia sempre algum engraçadinho que dizia "Mim Tarzan, tu Jane."

Outra dificuldade que se encontra muito por aí é a conjugação dos verbos na primeira pessoa do plural. É comum ouvir-se "nós vai fazer assim..." ou "nós quer justiça!"

Em Portugal, é comum o erro inverso: "a gente vamos fazer..."

À parte as idiossincrasias da Língua Portuguesa nos dois lados do mundo, o importante é que a gente se entende e, mais do que nunca, como dizia o grande Pessoa: a minha pátria é a Língua Portuguesa - sempre que possível, a correta.