O título não pretende ser um plágio mas uma vénia a esse grande livro desse grande escritor/cronista: As minhas aventuras na República Portuguesa (Miguel Esteves Cardoso). Neste humilde endereço, apenas um pouco de tudo, um pouco de nada, muito de mim.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Coisas que me fizeram parar
Mais um dos bonitos contrastes de São Paulo: no meio de um bairro nobre repleto de enormes prédios, temos esta construção judaica.
Singela e sublime.
terça-feira, 22 de março de 2016
Eu e os acontecimentos das últimas semanas
Vivemos dias invulgares no Brasil. Sem entrar demasiado em todos os méritos da questão, quero apenas tocar em alguns pontos.
Todo o cidadão é considerado inocente até que se prove o contrário. Creio que ninguém põe essa máxima do estado democrático em questão. O que é questionável, parece-me, é que um cidadão sobre o qual pairam dúvidas, que está a ser investigado pelas entidades competentes para tal, que tem o seu nome envolvido em inúmeras situações dúbias, seja nomeado para um cargo público da maior importância. Será o momento mais adequado para tal? Normalmente, névoas deste género costumam gerar o efeito oposto...Não podemos também ignorar que, no caso, foi tudo feito com uma pressa inexplicável - tomada de posse antecipada em relação à data que se tinha estipulado primeiro, edição extra de diário oficial da união.
Por outro lado, acho louvável e admirável a forma como o povo brasileiro se tem manifestado nas ruas. De forma ordeira e pacífica exprimem a sua indignação e descontentamento. O que acho perigoso e lamentável é que no meio de toda esta situação, seja cada vez mais evidente o "nós e eles". A coisa tem assumido uma tal proporção que nos vemos obrigados a pensar duas vezes na cor da nossa roupa antes de sair de casa, não vão uns pensar que estamos a defender os outros. O cerne da questão é esse mesmo: o Brasil não é de uns ou outros. O Brasil é de todos. O Brasil é para todos. Não se trata aqui de uma rivalidade de tipo futebolística. O governo brasileiro, seja ele qual ou quem for, serve o interesse do povo brasileiro. Enquanto essa for a motivação dos políticos no governo, está tudo certo. A partir do momento em que a motivação de quem governa é apenas manter-se a governar, alguma coisa de errado se passa. Peço desculpa se estiver errada, mas parece-me que nas últimas semanas a única coisa que o governo faz é tentar manter-se de pé. Pelo Brasil pouco ou nada tem sido feito. A senhora Dilma parece profundamente comprometida em ajudar os seus amigos, já que convida um para ser ministro e para o outro, que anteriormente ocupava esse cargo - mais uma vez, peço desculpa se estiver errada-, parece ter reconfigurado um novo cargo. Pergunto eu: não trará isso uma despesa ainda maior a um governo que se diz empenhado em cortar na despesa? Eu mesma valorizo muito as minhas amizades e há pessoas por quem me empenharia a fazer o qu e- atente-se na conjugação do verbo, sujeito a condição - pudesse para ajudar. O que não podemos perder de vista é: a senhora Dilma e demais integrantes do governo ocupam cargos que os obrigam a dar total prioridade aos interesses e necessidades do povo brasileiro. É apenas a esse que devem urgência. Por isso, resta-nos torcer para que a justiça faça o seu trabalho, que as investigações se concluam o mais rápido possível e que, seja por qual caminho for, possamos seguir em frente, rumo a um Brasil melhor, mais maduro e mais justo. Não para eles ou para nós, mas para todos.
Todo o cidadão é considerado inocente até que se prove o contrário. Creio que ninguém põe essa máxima do estado democrático em questão. O que é questionável, parece-me, é que um cidadão sobre o qual pairam dúvidas, que está a ser investigado pelas entidades competentes para tal, que tem o seu nome envolvido em inúmeras situações dúbias, seja nomeado para um cargo público da maior importância. Será o momento mais adequado para tal? Normalmente, névoas deste género costumam gerar o efeito oposto...Não podemos também ignorar que, no caso, foi tudo feito com uma pressa inexplicável - tomada de posse antecipada em relação à data que se tinha estipulado primeiro, edição extra de diário oficial da união.
Por outro lado, acho louvável e admirável a forma como o povo brasileiro se tem manifestado nas ruas. De forma ordeira e pacífica exprimem a sua indignação e descontentamento. O que acho perigoso e lamentável é que no meio de toda esta situação, seja cada vez mais evidente o "nós e eles". A coisa tem assumido uma tal proporção que nos vemos obrigados a pensar duas vezes na cor da nossa roupa antes de sair de casa, não vão uns pensar que estamos a defender os outros. O cerne da questão é esse mesmo: o Brasil não é de uns ou outros. O Brasil é de todos. O Brasil é para todos. Não se trata aqui de uma rivalidade de tipo futebolística. O governo brasileiro, seja ele qual ou quem for, serve o interesse do povo brasileiro. Enquanto essa for a motivação dos políticos no governo, está tudo certo. A partir do momento em que a motivação de quem governa é apenas manter-se a governar, alguma coisa de errado se passa. Peço desculpa se estiver errada, mas parece-me que nas últimas semanas a única coisa que o governo faz é tentar manter-se de pé. Pelo Brasil pouco ou nada tem sido feito. A senhora Dilma parece profundamente comprometida em ajudar os seus amigos, já que convida um para ser ministro e para o outro, que anteriormente ocupava esse cargo - mais uma vez, peço desculpa se estiver errada-, parece ter reconfigurado um novo cargo. Pergunto eu: não trará isso uma despesa ainda maior a um governo que se diz empenhado em cortar na despesa? Eu mesma valorizo muito as minhas amizades e há pessoas por quem me empenharia a fazer o qu e- atente-se na conjugação do verbo, sujeito a condição - pudesse para ajudar. O que não podemos perder de vista é: a senhora Dilma e demais integrantes do governo ocupam cargos que os obrigam a dar total prioridade aos interesses e necessidades do povo brasileiro. É apenas a esse que devem urgência. Por isso, resta-nos torcer para que a justiça faça o seu trabalho, que as investigações se concluam o mais rápido possível e que, seja por qual caminho for, possamos seguir em frente, rumo a um Brasil melhor, mais maduro e mais justo. Não para eles ou para nós, mas para todos.
sábado, 5 de março de 2016
Coisas que me fizeram parar
Mais um detalhe delicioso da Rua Oscar Freire.
Para quem não conhece São Paulo, a Rua Oscar Freire é uma das ruas mais conhecidas da cidade. É uma rua comercial. É praticamente um shopping center a céu aberto. Ponto turístico. Quem por lá caminha, ouve todo o tipo de sotaques e de línguas pela rua, e vai ficar deslumbrado com a quantidade de lojas de marcas de luxo que por lá se encontra. De tudo um pouco. De livros, a malas, passando por roupa, canetas ou artigos de decoração. A mim, deslumbram-me particularmente detalhes como este, ou como o grafiti do post anterior, ou como outros que ainda vou retratar aqui. Simples, delicados, de uma beleza ímpar que nos faz sorrir à toa no meio da rua e...parar.
E é por estas e outras pequenas grandes coisas da vida que continuamos a caminhar.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Coisas que me fizeram parar
Rua Oscar Freire. Mais um belo grafiti de São Paulo. E este vem com brinde de umas árvores numa bela pracinha e, nesta tarde especificamente, ainda acompanhada por voz e violão de um músico que ali parou.
Assim é São Paulo: cheia de boas surpresas pelos seus caóticos caminhos.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Eu e as surpresas
Dizem que o mundo está perdido, que já não há valores, ética ou moral. Que o ser humano é egoísta, que o mundo é cruel, que não se pode confiar em ninguém, que o consumismo rege a humanidade.
Pois eu digo que tenho visto por aí gente que dá, sem esperar nada em troca. Tenho visto gente que espalha alegria e magia pelo ar. Tenho visto gente que se supera e ajuda os outros a se superar. Tenho visto gente que se preocupa com os outros, que quer ajudar só porque sim, porque somos todos humanos e estamos aqui uns para os outros. Tenho visto gente que é gente.
E quantas surpresas boas essas pessoas são capazes de fazer!..Às vezes são coisas simples, muito simples como abrir a nossa caixa de e-mail e ter um e-mail de alguém que se lembrou de nós, que envia uma fotografia de alguma coisa que viu e achou que íamos gostar de ver - esta é especialmente para ti, V.: eu realmente adorei ver as fotografias das iluminações de Natal em Lisboa, principalmente porque elas te fizeram lembrar de mim e vi-as através do teu olhar. Outras vezes são meras palavras de carinho de quem se ama e que iluminam o nosso coração - um "te amo", "adoro-te", "tenho saudades tuas" fazem milagres na nossa energia interior. Outras vezes é dar o almoço a um mendigo ou umas bolachas a crianças de rua. Outras vezes é um presente que chega pelo correio, embrulhado em amizade e ternura. Outras vezes é doar o que uma família de refugiados mais precisa de receber ou o presente que uma criança orfã mais gostaria de receber no Natal. Podem também ser gestos - grandes, pequenos e médios- de quem nos ama e cuida de nós como de um pequeno tesouro - obrigada aos dois homens da minha vida. Outras vezes são gestos de carinho como viver longe do nosso país e nos oferecerem um doce da nossa terra porque sabem que é sempre bom sentir um gostinho de casa. Outras vezes é receber mais trabalho quando mais precisávamos porque algum conhecido recomendou. Outras vezes é uma ajuda, de qualquer tipo, no momento certo. Outras vezes é ajudar alguém em dificuldades a subir para o ônibus ou ceder o lugar sentado a quem mais precisa. Outras vezes é ver como alguém faz o seu trabalho com amor e dedicação e como isso influencia os outros de forma tão positiva, seja sendo cobrador no ônibus e esbanjando alegria e simpatia para todos os que ali passam, ou sendo professor e mudando de forma tão especial a vida de tantas crianças ou ainda sendo médico e fazendo milagres todos os dias. Alguns destes gestos deixam-nos totalmente sem palavras. E a mim, em particular, não raras vezes me levam às lágrimas. (Eu sou de choro fácil, bem sei. Não tenho vergonha de o admitir.) São gestos totalmente inesperados. Muitas vezes superam aquilo que de melhor podíamos esperar que acontecesse. A minha avó sempre disse: "pensa positivo, que boas energias atraem boas coisas". Às vezes, mesmo não pensando coisa nenhuma, a vida presenteia-nos. E eu só posso acreditar que alguma coisa de bom eu tenho feito por aqui - e quando digo "aqui" não quer dizer São Paulo, mas sim este universo onde recebemos a dádiva da vida. Este ano, por exemplo, o Pai Natal existiu de facto nas nossas vidas. Com um enorme sorriso no rosto disse-me: "vou dar isto ao seu filho." E eu, com lágrimas a lavar-me o rosto, não quis acreditar que o grande desejo do Mateus ia realizar-se. O desejo que nós andávamos a planear realizar no aniversário dele, com muitas contas de cabeça e algum sacrifício. E, de repente, ali estava ele, à minha frente. Agradeci, incrédula. Para eles - a "família Pai Natal"- talvez não tenha sido nada de mais. Um presente. Um ato de desapego. Fazer um amigo feliz. Para nós foi muita coisa. Não só pelo presente em si, mas pelo gesto, pelo carinho, pela surpresa, pela felicidade do nosso filho - não há coisa que importe mais do que isso.
Dias depois, o Mateus também separou uns brinquedos para oferecer, como fazemos de tempos a tempos e, sem saber, acabamos por também realizar o maior desejo de um outro menino, o que me faz concordar em absoluto com as palavras de Oprah Winfrey:
"Dei a outra pessoa o mesmo que havia recebido. E, se existe algo que eu sei de verdade, é que é para isto que estamos aqui: para darmos continuidade ao ciclo de generosidade."
Pois façamos isso e, sem perder a fé uns nos outros, porque certamente quando damos o melhor de nós...
sábado, 5 de dezembro de 2015
Coisas que fazem muitos correr
Há uns meses surgiram estes campos de futebol improvisados. Em São Paulo improvisa-se muito. De uma coisa faz-se outra, de uma coisa multiplicam-se outras. Os imensos pilares deste viaduto transformaram-se em verdadeiros alvos e crianças e graúdos fazem a festa ali com uma bola de futebol.
O que importa é ser feliz, não é verdade? E pelo que me apercebo, estes mini-campos têm feito a felicidade a muita gente.
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