O Shine foi para nossa casa em 2004. Lembro-me bem do ano porque era ano de Europeu: o Campeonato Europeu de Futebol que foi realizado em Portugal. O Shine era um bebezinho, bem pequenino, com barriga rosada e andar trôpego. Bamboleava enquanto tentava equilibrar-se o melhor possível nas quatro patas, curtas, demasiado curtas para a redonda barriguinha que quase tocava no chão. Nos dias dos jogos de Portugal, ele ficava, por momentos, com uma bandeira de Portugal enrolada ao pescoço. A casa enchia-se de gente - amigos do meu irmão, na maioria- e o Shine era o queridinho de todos. Não havia quem não se derretesse completamente a olhar para ele. Nas primeiras noites, quentes, dormia esparramado no chão ao lado da minha cama. Ofegava, com o calor, e eu ficava preocupada "será que ele está bem? será que esta respiração é normal?", quase como uma mãe fica quando leva o seu bebezinho para casa - sei-o agora que sou mãe. Naqueles dias de calor, escolhia o chão de azulejo da cozinha para dormir. Caminhava lentamente até lá e, de repente, parava: deixava as patas da frente deslizar para a frente e as de trás deslizar para trás e ali ficava, deitado ao comprido, totalmente esparramado no chão. Outras vezes escolhia o cantinho atrás da sanita para uma sesta. Anos depois, com ele crescido, enorme, olhávamos para aquele cantinho e pensávamos: "como é possível que ele algum dia tenha dormido confortavelmente ali atrás?"
O Shine era o nosso bebé. Ninguém se queria apegar muito a ele, porque a vinda dele para nossa casa foi em consequência de uma perda bem dolorosa: a do Soneca, um quase-Husky que tinha apenas 6 meses quando nos deixou. Mas como não se apegar? Eu e o meu irmão rendemo-nos imediatamente a ele. A minha mãe conseguiu resistir mais um pouco, mas também, inevitavelmente, acabou por ceder.
O Shine sempre foi um cachorro cheio de energia. Correr e brincar era com ele!.. Muito carinhoso, adorava estar perto de nós. Enquanto bebé, cachorro, acompanhou-me muito no meu estudo de piano. Era o meu fiel ouvinte, e com gosto próprio: algumas obras musicais, ele preferia ouvir de longe - ou fugir para longe...Mal começava a tocá-las, levantava-se na cama onde estava confortavelmente aninhado, olhava para mim com aquele ar de "outra vez isso?" e ia-se embora do quarto. Nunca foi sociável com outros cães, mas sempre recebeu toda a gente em casa com festas, pulos e mais pulos!
As palavras que li ontem à noite no meu e-mail não param de ressoar no meu pensamento "Maninha, o Shine morreu." Desabei em lágrimas. Não, não é possível!..Ele tinha 11 anos, mas estava bem. Continuava cheio de energia. Eu ia revê-lo daqui a pouco tempo. Não pode ser: eu não vou mais vê-lo! Nunca mais. Cada vez que aquelas palavras do e-mail ecoam dentro de mim, invade-me uma tristeza profunda. Visualizo cada uma delas como se relesse novamente o e-mail, e não as aceito. Tenho este sentimento de incredulidade a gritar dentro de mim. Não consigo acreditar que aquele maluco não nos vai receber aos pulos!..Que não vai ficar aninhado a dormir ao pé de nós enquanto vemos televisão. Que não vai ficar a olhar piedosamente para nós enquanto estivermos a comer alguma coisa que ele gosta e não vamos ouvir aqueles sons chorados como quem diz "olha para mim aqui, a portar-me tão bem", caso ele pensasse que nos estávamos a esquecer dele ou que a sua presença não estava a ser suficientemente notada.
Há quem não entenda, mas eu sinto como se tivesse perdido um membro da família. E custa estar longe. Às vezes estar longe é uma verdadeira merda, diga-se em bom português. As dores partilhadas, às vezes, parece que doem um bocadinho menos.
O Shine fez-se presente nos meus momentos de tristeza, pulou comigo nos meus momentos de alegria, fez-me companhia em momentos de solidão. Tirou-me do sério umas quantas vezes, preocupou-me em outras. Percebo hoje que o via em todos os cães aqui em São Paulo: quando fazia carinho em algum, era nele que pensava, era uma tentativa inconsciente de matar as saudades que sinto dele. Agora as saudades serão eternas e, como diz o Mateus, "nunca vou me esquecer do Shine, ele vai viver no meu coração para sempre."
Obrigada, Shine, por tanta coisa boa que trouxeste às nossas vidas. Isso faz qualquer dor valer a pena.
O título não pretende ser um plágio mas uma vénia a esse grande livro desse grande escritor/cronista: As minhas aventuras na República Portuguesa (Miguel Esteves Cardoso). Neste humilde endereço, apenas um pouco de tudo, um pouco de nada, muito de mim.
segunda-feira, 4 de maio de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
Nós e o concerto
Hoje foi um dia muito especial para mim. Há tempo demais que eu não ia assistir a um concerto de música clássica. Hoje fui. Com um programa muito agradável e com uma coisa única em relação a todos os outros concertos que vi na minha vida: o meu filho estava comigo. Ele foi, pela primeira vez, ouvir um concerto com uma orquestra. Mal entramos na sala, observou atentamente os violoncelos espalhados pelo palco e a harpa.
Os músicos começaram a entrar no palco, e eu senti uma emoção profunda. Como se um velho e querido amigo que eu não visse há anos estivesse a aparecer diante dos meus olhos. Não, não eram eles ali, aquelas pessoas, aqueles músicos maioritariamente russos. Era a Música que eu estava a reencontrar. Eles começaram a afinar os instrumentos. Expliquei ao pequeno o que estava a acontecer, ainda emocionada perante aquela massa sonora disforme e que me é tão familiar.
Para ele, não foi nada de fantástico. Gostou, foi uma coisa diferente, mas não amou. Ainda assim, portou-se muito bem. O programa era "A bela adormecida (Tschaikovsky) e Peer Gynt (Grieg). Antes do concerto, contei-lhe as histórias de ambos (no próprio concerto havia uma espécie de apresentador que contava as histórias e falava sobre os instrumentos de orquestra). Isso ajudou a que mantivesse a atenção, uma vez que ia perguntando "qual parte da história é agora?" e, com certeza, ficava a imaginá-la enquanto ouvia a música. Ainda me fartei de rir no final, quando começaram a bater muitas palmas e o apresentador disse "se fizerem muito barulho, eles tocam mais uma", e o pequenote olha para mim com um ar de desalento "mais uma?!!" Lembrei-me dos nossos tempos de escola, de audições do coro, quando tínhamos o mesmo sentimento de "já está bom: enough is enough." O momento alto para ele (e para mim) foi o da "Gruta do Rei da Montanha" de Peer Gynt. Ficou entusiasmado não só por ser a parte da história em que participavam os trolls, mas também pela própria música. A mim, corriam-me as lágrimas pelo rosto. Senti aquele arrepio que me percorre a espinha e se difunde energicamente por todo o corpo quando a música é boa. Quando li "comer, orar e amar", uma passagem em particular chamou a minha atenção: a descrição que Elizabeth Gilbert tenta fazer de uma experiência que viveu durante um momento de meditação. Uma experiência que a fez sentir mais perto do seu ser, mais perto da divindade:
"...posso sentir uma energia suave, azul, elétrica pulsando pelo meu corpo, em ondas. (...) Sua vibração vem da base da minha coluna."
A Música leva-me para lugares parecidos com esse. Leva-me para...dentro, para mais perto de mim mesma. Foi por isso que, após muito tempo sem tocar para ninguém, quando toquei uma peça há anos atrás para um grupo de amigos, senti uma emoção tão forte e reconfortante como...regressar a casa e, quem como eu vive longe do país de origem, sabe a emoção que é. Aquele suspiro "ahhhhhhhh: era este chão que me faltava!" Foi exatamente isso: senti-me em casa, em paz, porque a música, já dizia o meu professor, leva-nos aos cantinhos mais especiais e longínquos de nós mesmos. Sempre. Passe o tempo que passar sem que lhe demos a devida atenção. A nossa música nunca ninguém nos pode tirar.
Os músicos começaram a entrar no palco, e eu senti uma emoção profunda. Como se um velho e querido amigo que eu não visse há anos estivesse a aparecer diante dos meus olhos. Não, não eram eles ali, aquelas pessoas, aqueles músicos maioritariamente russos. Era a Música que eu estava a reencontrar. Eles começaram a afinar os instrumentos. Expliquei ao pequeno o que estava a acontecer, ainda emocionada perante aquela massa sonora disforme e que me é tão familiar.
Para ele, não foi nada de fantástico. Gostou, foi uma coisa diferente, mas não amou. Ainda assim, portou-se muito bem. O programa era "A bela adormecida (Tschaikovsky) e Peer Gynt (Grieg). Antes do concerto, contei-lhe as histórias de ambos (no próprio concerto havia uma espécie de apresentador que contava as histórias e falava sobre os instrumentos de orquestra). Isso ajudou a que mantivesse a atenção, uma vez que ia perguntando "qual parte da história é agora?" e, com certeza, ficava a imaginá-la enquanto ouvia a música. Ainda me fartei de rir no final, quando começaram a bater muitas palmas e o apresentador disse "se fizerem muito barulho, eles tocam mais uma", e o pequenote olha para mim com um ar de desalento "mais uma?!!" Lembrei-me dos nossos tempos de escola, de audições do coro, quando tínhamos o mesmo sentimento de "já está bom: enough is enough." O momento alto para ele (e para mim) foi o da "Gruta do Rei da Montanha" de Peer Gynt. Ficou entusiasmado não só por ser a parte da história em que participavam os trolls, mas também pela própria música. A mim, corriam-me as lágrimas pelo rosto. Senti aquele arrepio que me percorre a espinha e se difunde energicamente por todo o corpo quando a música é boa. Quando li "comer, orar e amar", uma passagem em particular chamou a minha atenção: a descrição que Elizabeth Gilbert tenta fazer de uma experiência que viveu durante um momento de meditação. Uma experiência que a fez sentir mais perto do seu ser, mais perto da divindade:
"...posso sentir uma energia suave, azul, elétrica pulsando pelo meu corpo, em ondas. (...) Sua vibração vem da base da minha coluna."
A Música leva-me para lugares parecidos com esse. Leva-me para...dentro, para mais perto de mim mesma. Foi por isso que, após muito tempo sem tocar para ninguém, quando toquei uma peça há anos atrás para um grupo de amigos, senti uma emoção tão forte e reconfortante como...regressar a casa e, quem como eu vive longe do país de origem, sabe a emoção que é. Aquele suspiro "ahhhhhhhh: era este chão que me faltava!" Foi exatamente isso: senti-me em casa, em paz, porque a música, já dizia o meu professor, leva-nos aos cantinhos mais especiais e longínquos de nós mesmos. Sempre. Passe o tempo que passar sem que lhe demos a devida atenção. A nossa música nunca ninguém nos pode tirar.
domingo, 5 de abril de 2015
Conversas paralelas
No ônibus, um senhor conversava com o cobrador:
"Cara, em São Paulo a gente vê de tudo...Essa semana eu vi uma coisa que....nem sei, eu ´tou sem dormir bem há 3 noites."
"Que aconteceu?", pergunta o cobrador.
"Olha, ´tava eu lá, esperando o metrô. Eu mais umas 5 ou 6 pessoas, todos sentados. A gente viu que o metrô vinha vindo, e se levantou, e nisto, um dos moços que ´tava ali sentado... se joga na frente do trem."
"Cara!..."
"Pois é, puxa a vida, meu, eu não ´tou nem conseguindo dormir direito depois daquela cena. O moço ´tava ali, sentado, e se joga."
"E depois, parou tudo?"
"É, o trem ficou ali, vieram uns funcionários limpar tudo, recolher os pedaços. Cara: horrível, uma cena horrível!"
"Com certeza se jogou cornudo!", arrisca o cobrador.
"Sei lá, mulher pode mexer com a cabeça de um homem. Mas sei lá....o que faz uma pessoa se jogar assim? Que cena horrível. Já tinha ouvido falar de vários casos, mas nunca tinha presenciado uma coisa assim."
Lembrei-me do filme "Sunset Limited". O filme é um diálogo entre duas personagens: um totalmente céptico e outro de uma fé inabalável. O segundo salvou o primeiro de se jogar na frente de um trem e leva-o para sua casa. Não pretende deixá-lo sair dali antes de ter a certeza que não vai tentar repetir a façanha. É um filme que nos leva à reflexão. Muito interessante. Tão interessante que os dois lados da moeda se nos apresentam como válidos. Nos dois encontramos verdade. Ou, pelo menos, nos dois encontramos possibilidade. Porque isso da Verdade, na verdade, é bem relativo. A verdade é que cada um tem a sua. Mesmo que algumas pessoas se guiem pela mesma Verdade, cada um a construiu e a vivencia à sua maneira. Não há duas pessoas iguais e, se há Verdade, ou verdades, bom...não sei. A esta hora o senhor do trem tem muito mais respostas do que qualquer um de nós aqui. A nós, restam-nos as perguntas, a dúvida, a busca. Isso, em si mesmo, já nos leva a algum lugar: dentro de nós mesmos. E como é vasto esse lugar!..Uma vida inteira, por vezes, é pouco para o conhecer. Mas...vale a pena tentar!
Para quem quiser ler um pouquinho mais do diálogo de Sunset Limited:
http://www.imdb.com/title/tt1510938/trivia?tab=qt&ref_=tt_trv_qu
"Cara, em São Paulo a gente vê de tudo...Essa semana eu vi uma coisa que....nem sei, eu ´tou sem dormir bem há 3 noites."
"Que aconteceu?", pergunta o cobrador.
"Olha, ´tava eu lá, esperando o metrô. Eu mais umas 5 ou 6 pessoas, todos sentados. A gente viu que o metrô vinha vindo, e se levantou, e nisto, um dos moços que ´tava ali sentado... se joga na frente do trem."
"Cara!..."
"Pois é, puxa a vida, meu, eu não ´tou nem conseguindo dormir direito depois daquela cena. O moço ´tava ali, sentado, e se joga."
"E depois, parou tudo?"
"É, o trem ficou ali, vieram uns funcionários limpar tudo, recolher os pedaços. Cara: horrível, uma cena horrível!"
"Com certeza se jogou cornudo!", arrisca o cobrador.
"Sei lá, mulher pode mexer com a cabeça de um homem. Mas sei lá....o que faz uma pessoa se jogar assim? Que cena horrível. Já tinha ouvido falar de vários casos, mas nunca tinha presenciado uma coisa assim."
Lembrei-me do filme "Sunset Limited". O filme é um diálogo entre duas personagens: um totalmente céptico e outro de uma fé inabalável. O segundo salvou o primeiro de se jogar na frente de um trem e leva-o para sua casa. Não pretende deixá-lo sair dali antes de ter a certeza que não vai tentar repetir a façanha. É um filme que nos leva à reflexão. Muito interessante. Tão interessante que os dois lados da moeda se nos apresentam como válidos. Nos dois encontramos verdade. Ou, pelo menos, nos dois encontramos possibilidade. Porque isso da Verdade, na verdade, é bem relativo. A verdade é que cada um tem a sua. Mesmo que algumas pessoas se guiem pela mesma Verdade, cada um a construiu e a vivencia à sua maneira. Não há duas pessoas iguais e, se há Verdade, ou verdades, bom...não sei. A esta hora o senhor do trem tem muito mais respostas do que qualquer um de nós aqui. A nós, restam-nos as perguntas, a dúvida, a busca. Isso, em si mesmo, já nos leva a algum lugar: dentro de nós mesmos. E como é vasto esse lugar!..Uma vida inteira, por vezes, é pouco para o conhecer. Mas...vale a pena tentar!
Para quem quiser ler um pouquinho mais do diálogo de Sunset Limited:
http://www.imdb.com/title/tt1510938/trivia?tab=qt&ref_=tt_trv_qu
segunda-feira, 23 de março de 2015
Dia Mundial da Água
Hoje é Dia Mundial da Água e nunca, aqui em São Paulo, se lhe deu tanta importância como agora. Nunca se falou tanto de água. Nunca se pensou tanto em água. Nunca se pediu tanto por água.
Todos os finais de tarde, a água acaba aqui e só volta no outro dia de manhã. Quando temos água nesse horário, até estranhamos, e pensamos "olha, hoje a Sabesp esqueceu-se de nos cortar a água." Habituamo-nos a guardar a água da máquina de lavar e a própria água dos nossos banhos para poder dar descarga. Lavamos a louça sem água corrente e tentando usar o menos possível. Tomamos banhos rápidos e vamos fechando a água enquanto nos ensaboamos.
Uma coisa é certa: depois desta época de crise as pessoas finalmente entenderam que a água não vai durar para sempre e que é preciso mudar de atitude. Habituamo-nos a abrir a torneira e a ver a água jorrar, numa falsa ilusão de que isso sempre iria acontecer com essa facilidade. Pelo menos a crise hídrica tem servido para modificar a postura das pessoas que, agora, aprenderam que é preciso economizar. Tomara que, passada a crise (esperamos nós!..), não voltem a esquecer-se!
Todos os finais de tarde, a água acaba aqui e só volta no outro dia de manhã. Quando temos água nesse horário, até estranhamos, e pensamos "olha, hoje a Sabesp esqueceu-se de nos cortar a água." Habituamo-nos a guardar a água da máquina de lavar e a própria água dos nossos banhos para poder dar descarga. Lavamos a louça sem água corrente e tentando usar o menos possível. Tomamos banhos rápidos e vamos fechando a água enquanto nos ensaboamos.
Uma coisa é certa: depois desta época de crise as pessoas finalmente entenderam que a água não vai durar para sempre e que é preciso mudar de atitude. Habituamo-nos a abrir a torneira e a ver a água jorrar, numa falsa ilusão de que isso sempre iria acontecer com essa facilidade. Pelo menos a crise hídrica tem servido para modificar a postura das pessoas que, agora, aprenderam que é preciso economizar. Tomara que, passada a crise (esperamos nós!..), não voltem a esquecer-se!
quarta-feira, 18 de março de 2015
Coisas que nos fizeram parar
Uma galeria de arte itinerante! Os artistas passeiam com as obras de arte a tiracolo e levam a sua arte, literalmente, até ao público. Eu e o pequenote gostámos da iniciativa!
domingo, 15 de março de 2015
Coisas que fizeram toda a gente parar
Hoje é dia de manifestação por aqui. Por aqui e um pouco por todo o lado no Brasil.
Aqui em São Paulo, os motoqueiros acordaram cedo, reuniram-se e seguiram para a Avenida Paulista. Cruzei-me com eles na Avenida Brasil. Nunca, em toda a minha vida, tinha visto tanta moto junta! Muitas, muitas, muitas, a perder de vista. Um barulho ensurdecedor das buzinas. Trânsito parado enquanto cruzavam a Avenida 9 de Julho, uma das mais movimentadas daqui. Quem ficou parado a vê-las passar, acenava, apoiava e ouviam-se até alguns gritos de "Brasil! ´Tamos juntos!" Muitas camisetas e bandeiras do Brasil, e as cores verde e amarelo a concorrer com o típico preto utilizado pelos motoqueiros. Uma bela moldura. Emocionante de ver, de sentir a energia das pessoas unidas em torno de um mesmo ideal: um Brasil melhor e mais justo.
Dizem que na região da Paulista, a esta hora (15h45), estão cerca de 1 milhão pessoas. Um milhão de pessoas! Praticamente 1/10 da população de Portugal inteiro!
E agora, dona Dilma?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Nós e os tiros na madrugada
Há umas noites atrás, dormia eu profundamente quando acordei com um som forte e seco. Olhei para o lado "o que foi isto?" O meu marido, já a levantar-se, diz "Tiros." Ele respondeu no plural, embora o máximo que o meu sono me tenha permitido ouvir tivesse sido um - o único que ouvi na minha vida inteira, diga-se! Aguardei um pouco na expectativa de ouvir alguma sirene, de polícia ou resgate. Nada. O meu marido viu pela janela que várias outras pessoas olhavam pelas suas janelas. Algum aglomerado na rua. Nada de sirenes. Caí no sono outra vez. No dia seguinte, contava-se pela rua que um homem tinha baleado uma mulher: cinco tiros, dois certeiros. Foi levada para o hospital, segundo consta. Parece que foi passional. E nada mais consta.
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