quinta-feira, 30 de março de 2023

89-365

 


Hoje faz 4 anos que o Mateus adoptou o Théo. 4 anos que este peludinho entrou para a nossa família. Posso afirmar, sem qualquer dúvida, que foi uma das nossas melhores decisões. Este filho-de-quatro-patas, encheu-nos a vida de alegria, brincadeira e, acima de tudo, muito amor e muito mimo. Não há como um cachorro para nos ensinar sobre entrega e amor incondicional. Ele é meu companheiro no yoga e meditação, no estudo de piano, enquanto cozinho, enquanto limpo a casa. Recebe-me com pulos de alegria e beijinhos quando chego a casa. Dorme com a cabeça apoiada na minha barriga. Não há como não se apaixonar! Tem lá o seu mau feitio: não gosta de ser abraçado, apertado, nem muito menos que lhe peguem ao colo. Ladra sempre que ouve a campainha da porta, e ladra para o seu próprio reflexo na televisão desligada. Morre de medo de passear na rua. Adora comer. Acho que é a sua coisa favorita. Isso e a bola azul. Muitas vezes, parece sorrir. Sim, ele sorri mesmo. E a nós, nestes quatro anos, encheu-nos de sorrisos também. Que venham os próximos quatro! 

quarta-feira, 29 de março de 2023

87-365

Há dias atrás, estava à espera para subir no elevador para dar uma aula. Um funcionário da portaria/manutenção aproximou-se com uma embalagem de aplicativo de entrega de comida na mão e ficou também a aguardar. Quando o elevador chegou onde estávamos, eu entrei, e ele não se moveu. Perguntei "Não vai subir?" Constrangido, gaguejou "Hmm...sim...vou." Percebendo que me confundiu com moradora/visitante, acrescentei "Pode subir, ppr favor, não tem problema." Ele agradeceu e entrou.

Esta é uma realidade à qual não me habituei aqui em São Paulo. A separação abissal entre elevador social e elevador de serviço. A separação entre quem pode estar com quem no elevador. Não raras vezes fui indicada pelos funcionários do prédio a subir pelo elevador de serviço e, chegando ao apartamento, percebo o constrangimento do morador "Ah, pode vir pelo social, por favor." Esta segregação premente, persistente, enraizada, é uma coisa que entristece na sociedade brasileira. Uma sociedade tão rica, tão bela pela sua diversidade. E há um abismo entre o mundo em que uns (se movem e) vivem e os outros. 

88-365

 


Somando teclas brancas e portas, obtemos 88 teclas no piano. Como hoje é o 88° dia do ano, comemora-se o Dia Mundial do Piano.
O piano faz parte da minha vida diariamente há vários anos. Quando não estou a estudar, estou a ensinar. (E sou uma eterna ouvinte.)
Não escolhi o piano por nenhuma inclinação especial, ou qualquer convicção. Escolhi-o porque era o instrumento que já tinha em casa e onde, de vez em quando, brincava. Pareceu-me o mais lógico. Mas sinto que, a dado momento da minha vida, fui escolhida por ele. Numa altura da minha vida em que sentia necessidade de me expressar, de extravasar emoções, o piano acenou-me, a música apresentou-se-me como uma linguagem única na qual me sentia segura para me exprimir. Mais do que isso, encontrei na música uma forma de aceder a partes de mim mesma, a aspectos da realidade aos quais não chegava de outra forma. Na música, senti-me transbordar. Fico feliz que a minha mãe me tenha obrigado a continuar contra a minha vontade, e que a minha professora tenha tido a sensibilidade para me cativar. A presença do piano hoje, e todos os dias, na minha vida, tem valido a pena.
Feliz Dia do Piano.

terça-feira, 28 de março de 2023

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O que está a acontecer no mundo? Discussões no trânsito que acabam em tiros. Discussões por pedidos de pizza errados que acabam em agressão. Discussões sobre política que acabam em facada ou tiro. Aluno que mata professores e fere alunos e professores à facada. Discussões em posto de gasolina que acabam com a pessoa a ser incendiada. É inacreditável o que vemos acontecer no mundo. Dois anos após a pandemia, parece que as pessoas não conseguiram voltar ao equilíbrio - se é que algumas o tiveram, um dia. Pelo contrário, parecem ter perdido o domínio da razão. Qualquer coisa é motivo de discussão e, pior, de agressão ou mesmo assassinato! Parece que perdemos alguma coisa daquilo que nos torna humanos. As reações acontecem de forma impensada, exacerbada, desproporcional, quase animalesca, podemos afirmar. Quantas pessoas têm sofrido agressões ou perderam a vida por razões totalmente banais, por coisas que seriam tão facilmente resolvidas de forma civilizada? Onde foi parar a nossa capacidade de diálogo? Onde foi parar a empatia, a capacidade de gerir os conflitos? Onde foi parar a capacidade que temos para lidar com a adversidade sem partir para a ignorância? O pedido veio errado, o produto tem defeito, a pessoa não foi educada, a condução do outro foi imprudente? Temos que saber lidar com os problemas. Algumas coisas são tão insignificantes que, na verdade, nem merecem o investimento da nossa energia - e o risco de ter pela frente uma dessas pessoas que desaprendeu a conviver com os outros ou a lidar com a crítica. Mais vale seguir com a vida sem lhes prestar atenção. Nas mais relevantes, podemos exigir os nossos direitos, mas de forma educada, cordial. Vivemos tempos tão doidos que o que nos espanta são atitudes gentis, o que nos surpreende é a cordialidade, a compreensão. Gostaria de dizer que melhores tempo virão, mas não sei se posso afirmá-lo. O que podemos fazer é apenas a nossa parte. E esperar que cada vez mais pessoas tenham vontade de fazer a sua. (Se ao menos as pessoas percebessem que tudo é bem mais fácil quando há gentileza, empatia e entre-ajuda.)

85-365

 


O assunto que mais me tem fascinado ultimamente é a respiração. As primeiras pessoas que ouvi falar sobre esse tema foram Juan Pablo Barahona e Wim Hof. Mais recentemente, tenho acompanhado também o trabalho de Cadu Cassaú, Julian Vondueffel (facilitador do método Wim Hof), Juliano Dal Corso e Michaël Bijker.
Respirar é a primeira coisa que fazemos quando nascemos, e a última coisa que fazemos antes de morrer. Entre um momento e outro, respiramos (espera-se!) incessantemente, algumas vezes por minuto. E em quantas dessas incontáveis vezes o fazemos de forma consciente? O quanto sabemos sobre a importância dessa função vital? De como ela funciona? O quanto a percebemos no corpo? O quanto sabemos direcioná-la para obtermos melhor desempenho, mais calma, mais espaço interior? Ou mesmo para gerar frio e calor no corpo? A respiração é muito mais do que uma troca gasosa do nosso organismo com o ambiente. É um portal para nós mesmos. Pare alguns momentos do dia e perceba como está a sua respiração. Observe-a. Esse mero gesto pode contribuir para que ganhe mais consciência sobre si mesmo, e dessa consciência, pode resultar um maior poder sobre o seu estado interior. A respiração é o nosso super-poder: que outra coisa pode conduzir-nos, em poucos minutos, de um estado ansioso para um estado tranquilo de forma tão eficaz?

sábado, 25 de março de 2023

84-365

 


Valorizo muito o tempo de qualidade que tenho a oportunidade de passar com o meu filho. Os anos passam a correr, e o tempo que temos com ele criança, para brincar juntos, diminui a cada dia que passa. Outros tempos virão, de outras convivências e experiências mas esta, de espalhar legos pelo chão do quarto, vê-lo a jogar os jogos no computador e deixá-lo ensinar-me acerca deles, jogar à bola, ou brincar com água no quintal, não vai durar para sempre. Por isso, aproveito esses momentos como eles são: únicos e preciosos. Quando a oportunidade surge, esteja cansada ou ocupada, crio o espaço necessário para isso. Sem o menor peso na consciência pelo que deixo de fazer, ou mesmo pelo tempo de estudo que isso lhe rouba. Não creio que algum dia vá guardar na memória as horas que passou a estudar para as provas do 8° ano, mas acredito que, um dia, os momentos em que nos divertimos juntos, serão recordados com carinho (assim como eu os guardo). 

sexta-feira, 24 de março de 2023

83-365

 


Uma das coisas mais importantes que aprendi na última década é que quem sustenta a nossa felicidade somos nós. Não são as coisas, nem as pessoas na nossa vida. Da mesma forma, também não somos responsáveis pela felicidade de ninguém. Podemos e devemos ser amorosos com os outros, entregar o melhor de nós sempre, mas sabendo que isso não vai, necessariamente, resultar na felicidade do outro. Porque a felicidade do outro, está dentro dele, é domínio dele. Não depende de nós. Por isso, não devemos sentir-nos culpados pela infelicidade do outro. Da mesma forma, também não podemos culpar o outro pela nossa infelicidade. É nosso domínio. A felicidade é, acima de tudo, um trabalho interno. Por mais que, por vezes, seja difícil lidar com as circunstâncias, com os outros, com as dificuldades e desafios, só nós podemos fazê-lo. É em nós que sentimos as dores e angústias e é em nós que podemos encontrar as respostas para lidar com elas da melhor forma. "A única saída é para dentro." (Sadhguru) Se a nossa felicidade depende de fatores externos, somos vítimas, ao sabor da sorte, das vontades e atitudes alheias. Se a felicidade depende de nós, somos livres para a construir. A única felicidade que se sustenta é a auto-sustentada.