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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

O que Jesus faria (5)

"Escuta o teu coração, ele conhece todas as coisas; pois onde ele estiver, é onde está o teu tesouro." (Paulo Coelho)


Talvez muitos de nós tenham lido "O Alquimista" e reconheçam esta frase.
No Sermão da Montanha, há mais de 2000 anos atrás, encontramos palavras idênticas: "Não acumuleis tesouros na terra (...) Acumulai tesouros no Céu (...) Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." Jesus sugere a reflexão: o que mais valorizamos? O nosso foco determina onde colocamos a nossa energia, e onde colocamos a nossa energia é onde o nosso coração está. Perceba por onde o seu coração tem andado. Nos bens materiais, nas coisas efémeras, perenes desta vida, ou em valores essenciais, basilares e imutáveis? "Pois a vida é mais que o alimento e o corpo mais que o vestuário." Jesus sugere um caminho para vivermos no Céu: a simplicidade e a entrega a Deus, confiando que tudo o que precisamos de material nos será concedido. "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos(...)" Como são atuais estes ensinamentos! No mundo absurdamente consumista em que vivemos, em que estas coisas, literalmente, nos consomem, em que tantas e tantas pessoas no mundo sofrem com ansiedade! O que Jesus faria se visse este mundo materialista em que vivemos, se presenciasse as nossas angústias? Partilharia as mesmas lições que nos deixou. Jesus foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre. Ele viveu essa simplicidade, essa entrega que pregou, e encontrou felicidade e paz no amor aos Homens e a Deus. Embora soubesse o seu destino, não antecipou a angústia do que viria pela frente. Viveu cada dia, com o coração onde estava. E essa é mais uma das incríveis lições que partilhou connosco: "Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu trabalho."

domingo, 26 de fevereiro de 2023

O que Jesus faria (4)

Um dos sermões mais bonitos de Jesus, na minha opinião, é o chamado Sermão da Montanha. É rico em ensinamentos, e aquilo que mais me chama a atenção é o quanto Jesus prega o Amor. Não apenas o amor a quem nos é próximo, mas um tipo de amor bem mais desafiante: àqueles que são nossos inimigos. Jesus defende, em cada palavra, o entendimento, o perdão, a compaixão, a entrega. Como os seus ensinamentos são atuais! Quando olhamos à nossa volta - e, admitamos, para nós mesmos - percebemos como é fácil cair na tentação de revidar. Principalmente hoje em dia, pós-pandemia, a tolerância das pessoas parece ter-se reduzido a níveis mínimos. Por vezes, coisas insignificantes, geram reações desmedidas. É bem mais fácil reagir, responder, devolver a agressão do que colocar-se no lugar do outro, compreender, ou até ajudar. E é esse o desafio que Jesus nos coloca: amai os vossos inimigos, "fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem". Não só ele pregou isso como realmente o viveu, em toda a sua vida. Foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre. Perdoou a quem o caluniou, amou a todos, sem excepção. E aí está o grande desafio, pois "Se amais os que vos amam, que agradecimentos merecereis? Se fazeis o bem aos que vos fazem bem, que agradecimento merecereis?" Difícil é perdoar. Difícil é não devolver o insulto, o soco, a calúnia. Sempre que nos sentimos injustiçados, sentimo-nos no direito de responder, de nos defender. Aliás, há quem sinta, até esse dever, pois sente-se fraco ou humilhado caso não o faça. Mas defender-nos, muitas vezes, nada mais é do que um novo ataque. Em momentos de dúvida, pense: o que Jesus faria? Não temos de ser iluminados como Jesus a ponto de "oferecer a outra face", mas podemos, pelo menos, criar um momento de pausa entre a ofensa, ataque ou provocação e a nossa reação. Podemos tentar ser mais conscientes das nossas respostas. Quem sabe o mundo poderia ser um pouco mais pacífico, um pouco mais...amoroso.


sábado, 25 de fevereiro de 2023

O que Jesus faria (3)

Jesus começa a pregar a palavra de Deus. Alguns dos apóstolos começam a segui-lo. Uma das frases mais bonitas surge quando Jesus chama os irmãos pescadores Simão Pedro e André para o seguirem "farei de vós pescadores de homens". Outros irmãos pescadores, Tiago e João, também o seguem. Os relatos dos diferentes evangelhos quanto a este facto divergem um pouco. No entanto, o que mais chama a atenção é a forma intuitiva como a relação entre Jesus e estes quatro discípulos se estabeleceu. Ao que parece, eles já ouviam os ensinamentos de João Baptista e, sem hesitar, deixaram tudo para trás para seguir o Messias assim que o ouviram pregar. Jesus, por seu lado, chamou para o seu lado quatro jovens simples, aparentemente sem instrução, para o acompanharem no propósito de ensinar a palavra de Deus. Jesus viu além das aparências, além do óbvio, além das roupas, do conhecimento, da profissão. Ao escolher os seus discípulos diretos, Jesus observou neles as suas qualidades humanas, o seu potencial, a sua fé.

Em momentos de dúvida, pense: o que Jesus faria?
Aprenda a ouvir a sua intuição para saber quem deve seguir e quem deve permitir que o acompanhe. Prescrute além das aparências, dos títulos, do género. Dê espaço para ouvir o seu coração e não apenas a razão. Jesus mostrou-nos, através dos seus discípulos, que todos somos dignos de aprender e ensinar, se tivermos entrega e disposição. E um bom professor. Jesus foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre.

#Jesus #apóstolos #quaresma #bíblia 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

O que Jesus faria (2)

 Uma das qualidades que mais admiro em Jesus é a sua humildade. Ele sabia quem era e qual o seu propósito. Poderia ter adoptado uma postura orgulhosa, até presunçosa mas, ao invés, aceitava seguir, humildemente, o caminho traçado pelo Pai. Sabia o que tinha de fazer e aceitava-o de bom grado. Por isso, e para espanto de João Baptista, a sua jornada começa com o pedido para ser baptizado por João. João hesita, responde que ele é que deveria ser baptizado por Jesus. Mas Jesus insiste: tudo tem de ser como tem de ser, e o baptismo é a responsabilidade de João. Mais uma prova da sua humildade: não se considera superior a ninguém. Embora seja o Filho de Deus, enviado para nos salvar, sabe que todos temos o nosso papel a desempenhar. Mais do que isso: ao longo da Bíblia, percebemos o quanto Jesus admira João. Após o baptismo, dá outra prova de humildade e isola-se no deserto para se aprofundar no conhecimento de si mesmo.

Em momentos de dúvida, pense: o que Jesus faria? Ele foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre.

Desempenhe o seu papel com entrega e resignação. Entenda que todos temos um papel a desempenhar, e que nenhum é mais importante do que o outro. Admirar os outros não o coloca numa posição de inferioridade mas eleva-o em humildade. E a humildade é necessária para a nossa evolução. Quem acha que tudo sabe, nada aprende.

#Jesus #quaresma

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

O que Jesus faria (1)

Entrámos no período da quaresma. Este período de 40 dias antecede a Páscoa e simboliza os 40 dias e 40 noites que Jesus passou no deserto. Jesus, ao contrário de nós, sempre soube qual era o seu destino. Sempre soube o que teria de enfrentar. Temos de admitir: qual de nós teria capacidade de saber e aceitar o que nos espera lá à frente?

Após ser baptizado por João, Jesus prepara-se para iniciar a parte mais importante da sua jornada: divulgar a palavra de Deus. Ele sabe a importância do seu papel, sabe que será uma tarefa difícil, sabe as provações que o esperam. Apesar de tudo, Jesus sente as mesmas emoções humanas que nós: tem medo, dúvidas, momentos de fraqueza. Mas não vira costas ao desafio. Pelo contrário: desafia-se, além dos seus limites. Encara os seus medos de frente: afasta-se por 40 dias e 40 noites de jejum no deserto. Embora sentindo fome, mantém-se firme, embora o diabo o tente diversas vezes, oferecendo caminhos mais fáceis e menos dolorosos, ele resiste. Perante as dificuldades superadas nesses 40 dias, fortalece-se. A sua força vem de purificar-se (jejum) e da reflexão profunda (isolamento). A sua força vem de olhar para dentro, para si mesmo, e não dispersar a sua energia pelas coisas externas. E é assim que o seu propósito se torna inabalável: sabe quem é, sabe o que tem de fazer. Nada nem ninguém poderá demovê-lo.

Em momentos de dúvida, pense: o que Jesus faria? Ele foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre.

Perante a dificuldade de algum desafio, afaste as distrações, foque-se em si mesmo, questione os seus medos, enfrente-os, e encontre as respostas que procura. E, então, estará forte para seguir adiante, independentemente da realidade que se lhe apresente.