quarta-feira, 1 de março de 2023

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Uma coisa boa de ajudar o Mateus com os estudos é relembrar uma série de coisas que eu mesma estudei e já não me lembrava. É uma espécie de reciclagem de conhecimentos. Em Ciências, o ano passado falou das leis de Newton. Dessa matéria, todos guardamos alguma noção. Mas a terceira lei de Newton deixou-me uma reflexão. A lei afirma que a toda a ação corresponde uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto. Um dos exemplos que ele estudou foi o de caminhar. Quando caminhamos, empurramos o chão para trás com o pé, e o chão, por sua vez, "empurra-nos" para a frente. Eu confesso, no auge da minha ignorância, nunca tinha pensado na ação de caminhar dessa forma. Depois de ver essa matéria com o Mateus, dei por mim a reparar nesse gesto enquanto caminho. Fiz até a experiência: se ficarmos em pé, com os dois pés paralelos, e fizermos unicamente o gesto de levantar um pé e o levar para a frente, não saímos do mesmo lugar. É necessário que o outro pé empurre o chão para trás para que consigamos ir para a frente. E aí veio-me a tal reflexão: na nossa vida, a terceira lei de Newton também se manifesta, porque só conseguimos seguir adiante se "empurrarmos" algumas coisas para trás. Quantas vezes temos mágoas, medos, ressentimentos que nos pesam e prendem ao mesmo lugar? Às vezes, é preciso ter coragem, e empurrá-los para trás para nos catapultarmos para a frente. Hoje é o primeiro dia de um novo mês. É uma excelente oportunidade para refletir: o que está disposto a empurrar para trás (porque já não lhe serve, ou não lhe faz bem) hoje para se projetar para a frente (em direção à sua felicidade) neste novo mês?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

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"Se você quiser descobrir os segredos do Universo, pense em termos de energia, frequência e vibração." (Nikola Tesla)

Fiquei maravilhada quando vi, pela primeira vez, vídeos com experiências dos efeitos das vibrações das frequências sonoras na matéria. Numa espécie de prato de metal acoplado a um gerador de som, é colocada areia. À medida que se produzem frequências sonoras, a areia na placa reage: consoante a vibração produzida, os grãos de areia agrupam-se em formas geométricas absolutamente perfeitas. Quanto maior a frequência sonora, mais complexas as formas geradas. Na outra experiência, utiliza-se água, que reage igualmente à frequência sonora. Além da beleza e harmonia das formas, esta experiência chama a atenção pelas suas implicações: se nós também somos matéria, e se somos 70% água, significa que o nosso corpo também reage de formas diversas às diferentes frequências sonoras. Se levarmos esse pensamento ainda mais longe e tivermos em conta que as nossas palavras são, elas mesmas, frequências sonoras, tudo o que dizemos está, constantemente, a exercer uma influência sobre nós. Nesse campo, são famosas as experiências com plantas. Em um vaso coloca-se uma planta e todos os dias são ditas palavras amorosas a essa planta. Em outro vaso, coloca-se outra planta à qual são ditas, diariamente, palavras ofensivas. A primeira floresce, a segunda definha. Em outra experiência, foram ditas palavras positivas e negativas a água que foi posteriormente congelada. As palavras positivas geraram lindas formas geométricas. As palavras negativas geraram formas caóticas.* As palavras têm poder. O som tem poder. Na Grécia Antiga já defendiam que a música (que era um dos pilares da educação) exerce influência sobre o nosso carácter e que diferentes tipos de música exercem influências distintas sobre nós, devendo privilegiar-se o tipo de música que eleva o espírito. Na Índia, desde há milénios, são entoados mantras para todo o tipo de efeito. A próxima vez que ouvir música, preste atenção ao efeito que lhe proporciona. E antes de falar, pense no quanto as suas palavras são poderosas.

* Assuntos abordados no documentário "What the bleep do we know" ( "Quem somos nós?")

https://youtu.be/SzJRPZNm8-w

https://youtu.be/rHvtROxCroA

O que Jesus faria (6)

Jesus abordou muitas vezes a questão de como nos relacionarmos uns com os outros. É assunto central dos seus ensinamentos. Sempre pregou o entendimento, a entreajuda, a empatia. Na base de tudo isso, está uma qualidade essencial: a humildade. Só quem olha para si mesmo, quem reconhece os seus próprios erros, falhas ou defeitos, pode criar uma abertura para realmente ver o outro. Eu percebo em mim, eu melhoro em mim, para depois poder acolher o outro. Aquela velha máxima: aquilo que eu não gosto no outro, não replico, aquilo que eu não gostaria que me fizessem, eu não faço, aquilo que eu admiro no outro, cultivo em mim. No Sermão da Montanha há uma passagem muito conhecida que é emblemática disso: "E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão e não vês a trave que está no teu olho?" É preciso humildade para olhar para as suas "traves" e coragem para as retirar. Só depois, poderemos gerar a empatia para tentar ajudar o nosso irmão com o argueiro dele. É muito fácil julgar os outros, notar as falhas no outro, criticar, mas "Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados (...)" Cultive a humildade, e as suas relações florescerão.

O que Jesus faria (5)

"Escuta o teu coração, ele conhece todas as coisas; pois onde ele estiver, é onde está o teu tesouro." (Paulo Coelho)


Talvez muitos de nós tenham lido "O Alquimista" e reconheçam esta frase.
No Sermão da Montanha, há mais de 2000 anos atrás, encontramos palavras idênticas: "Não acumuleis tesouros na terra (...) Acumulai tesouros no Céu (...) Pois onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração." Jesus sugere a reflexão: o que mais valorizamos? O nosso foco determina onde colocamos a nossa energia, e onde colocamos a nossa energia é onde o nosso coração está. Perceba por onde o seu coração tem andado. Nos bens materiais, nas coisas efémeras, perenes desta vida, ou em valores essenciais, basilares e imutáveis? "Pois a vida é mais que o alimento e o corpo mais que o vestuário." Jesus sugere um caminho para vivermos no Céu: a simplicidade e a entrega a Deus, confiando que tudo o que precisamos de material nos será concedido. "Não vos inquieteis com o que haveis de comer ou beber, nem andeis ansiosos(...)" Como são atuais estes ensinamentos! No mundo absurdamente consumista em que vivemos, em que estas coisas, literalmente, nos consomem, em que tantas e tantas pessoas no mundo sofrem com ansiedade! O que Jesus faria se visse este mundo materialista em que vivemos, se presenciasse as nossas angústias? Partilharia as mesmas lições que nos deixou. Jesus foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre. Ele viveu essa simplicidade, essa entrega que pregou, e encontrou felicidade e paz no amor aos Homens e a Deus. Embora soubesse o seu destino, não antecipou a angústia do que viria pela frente. Viveu cada dia, com o coração onde estava. E essa é mais uma das incríveis lições que partilhou connosco: "Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã, porque o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu trabalho."

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

58-365

Um dia destes, seguia eu a caminhar pela rua, e vejo um senhor a passear com o seu cachorro um pouco à minha frente. Alguns metros depois, o cachorro pára para fazer as suas necessidades. Prontamente, o senhor tira uma sacola do bolso e apanha as ditas necessidades do chão. Ainda estava eu a pensar "Que atitude louvável, de cidadania", a elogiar mentalmente o senhor quando, sem hesitar, e interrompendo bruscamente os meus elogios mentais, ele atira a sacola para a primeira árvore que lhe apareceu à frente! Lá ficaram as necessidades do bicho enfiadas num saco, no chão, ao lado de uma árvore. E eu: incrédula. O que parecia uma atitude tão boa, transformou-se, em poucos segundos, numa atitude, no mínimo, estranha. Mas fez-me refletir: quantas vezes julgamos uma atitude ao ver apenas uma parte dela? Se eu tivesse passado pelo senhor a caminhar na direção oposta e só tivesse visto a primeira parte da história, teria achado que o senhor tinha sido um cidadão exemplar. Quantas vezes uma boa atitude esconde uma má intenção? E o contrário também: quantas vezes julgamos mal algumas atitudes por não as entendermos completamente? Quantas vezes vemos apenas uma parte da história e criamos um julgamento totalmente equivocado? Aliás, a bem da verdade, nós vemos sempre apenas um lado, uma parte da história. Não nos apressemos a julgar, a rotular em bom ou mau. Até porque uma coisa boa pode revelar-se má e vice-versa. E, até em coisas que nos parecem más, como no episódio que narrei, há alguma coisa boa que se pode tirar: pelo menos, foi uma mina a menos no campo minado que se tornam certas calçadas. Evitou que alguém pisasse aquilo.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

57-365

 


Quando eu conecto os pontos das coisas que moveram a minha vida até agora, é muito claro que uma das coisas que tive de aprender a cultivar foi a disciplina. Enquanto pratiquei ginástica artística, a disciplina era essencial: eram 4 horas de treino em 6 dias da semana (com poucas semanas de férias) e, em cada treino, eram repetições e repetições dos mesmos exercícios. A treinadora, às vezes, até brincava connosco "É para fazer N vezes! O que é N? Indeterminado..." E era assim mesmo. Quantas vezes tínhamos de repetir um exercício até o conseguirmos executar sozinhas e bem? N vezes. Depois da ginástica, comecei a dedicar-me mais ao estudo de piano. Eram igualmente horas de estudo, 7 dias na semana, com repetições e repetições dos exercícios e músicas. Quantas vezes temos de repetir algumas passagens das músicas até as conseguirmos executar bem? N vezes.
Com total naturalidade deparei-me com o facto de "disciplina" ser um dos pilares do yoga. "E aquela (repetição), praticada com dedicação e cuidado, sem interrupção e por longo tempo, é a base firme." (Glória Arieira) Este conceito (abhyasa), aplica-se não apenas à prática das posturas (āsanas), mas também, e principalmente, ao conhecimento da nossa verdadeira natureza, que é o objetivo do yoga. Para entendermos quem somos e porque somos como somos, temos que ter uma atenção constante aos nossos hábitos e escolhas. Caso contrário, seremos escravos de automatismos que se instauraram com o tempo: os mesmos gatilhos, geram as mesmas reações, que geram as mesmas emoções, que são sensíveis aos mesmos gatilhos. Para podermos libertar-nos dessas "flutuações da mente" que nos impedem de perceber a nossa verdadeira essência, é preciso atenção plena, constante. Só assim poderemos ter escolhas conscientes. Só assim poderemos tornar-nos conscientes de nós mesmos. Em quanto tempo? Quantas vezes? N vezes. O que não me assusta nem desanima, porque, pela minha experiência, por mais antagónico que possa parecer, percebi que a disciplina não nos aprisiona: liberta-nos. É ela que abre as nossas asas e nos permite voar. Sem disciplina, não saímos do chão. (E eu sempre gostei de voar.)

O que Jesus faria (4)

Um dos sermões mais bonitos de Jesus, na minha opinião, é o chamado Sermão da Montanha. É rico em ensinamentos, e aquilo que mais me chama a atenção é o quanto Jesus prega o Amor. Não apenas o amor a quem nos é próximo, mas um tipo de amor bem mais desafiante: àqueles que são nossos inimigos. Jesus defende, em cada palavra, o entendimento, o perdão, a compaixão, a entrega. Como os seus ensinamentos são atuais! Quando olhamos à nossa volta - e, admitamos, para nós mesmos - percebemos como é fácil cair na tentação de revidar. Principalmente hoje em dia, pós-pandemia, a tolerância das pessoas parece ter-se reduzido a níveis mínimos. Por vezes, coisas insignificantes, geram reações desmedidas. É bem mais fácil reagir, responder, devolver a agressão do que colocar-se no lugar do outro, compreender, ou até ajudar. E é esse o desafio que Jesus nos coloca: amai os vossos inimigos, "fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos amaldiçoam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem". Não só ele pregou isso como realmente o viveu, em toda a sua vida. Foi um excelente professor, que viveu as lições que ensinou. Um Mestre. Perdoou a quem o caluniou, amou a todos, sem excepção. E aí está o grande desafio, pois "Se amais os que vos amam, que agradecimentos merecereis? Se fazeis o bem aos que vos fazem bem, que agradecimento merecereis?" Difícil é perdoar. Difícil é não devolver o insulto, o soco, a calúnia. Sempre que nos sentimos injustiçados, sentimo-nos no direito de responder, de nos defender. Aliás, há quem sinta, até esse dever, pois sente-se fraco ou humilhado caso não o faça. Mas defender-nos, muitas vezes, nada mais é do que um novo ataque. Em momentos de dúvida, pense: o que Jesus faria? Não temos de ser iluminados como Jesus a ponto de "oferecer a outra face", mas podemos, pelo menos, criar um momento de pausa entre a ofensa, ataque ou provocação e a nossa reação. Podemos tentar ser mais conscientes das nossas respostas. Quem sabe o mundo poderia ser um pouco mais pacífico, um pouco mais...amoroso.